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chatgpt em smartphone

Um utilizador com ligações às autoridades chinesas tentou utilizar o ChatGPT para orquestrar campanhas de difamação contra Sanae Takaichi, a primeira-ministra do Japão, bem como contra outros críticos do Partido Comunista Chinês. A descoberta faz parte do mais recente relatório da OpenAI sobre o uso malicioso dos seus modelos de inteligência artificial.

O indivíduo, que já foi banido da plataforma, procurou a ajuda do modelo em meados de outubro para planear um ataque à reputação de Takaichi, logo após a governante ter criticado o governo chinês por violações dos direitos humanos na Mongólia Interior. Os pedidos incluíam a criação de comentários negativos para as redes sociais e a geração de queixas através de contas de e-mail falsas, fazendo-se passar por residentes estrangeiros, para enviar a outros políticos japoneses.

O plano de ataque nas redes sociais

Perante a recusa do modelo em colaborar na campanha inicial, o utilizador recorreu a ferramentas de outras empresas. No entanto, no final de outubro de 2025, o mesmo ator regressou para pedir edições em relatórios de estado sobre o que classificava como operações cibernéticas especiais.

A investigação detetou que estas operações contra a primeira-ministra focavam-se em cinco áreas distintas: comentários negativos, imigração, condições de vida, supostas ligações à extrema-direita e tarifas. A campanha chegou mesmo a utilizar a hashtag correspondente a "simbionte de extrema-direita" em plataformas como o X, a comunidade japonesa Pixiv e o Blogspot, embora com pouco impacto. Os dados mostram que os vídeos no YouTube não ultrapassaram visualizações de um só dígito e o meme com maior alcance no Pixiv registou apenas 108 visualizações.

Assédio psicológico e repressão internacional

A estratégia deste utilizador ia muito além de simples publicações. A tática incluía pressão psicológica e social para silenciar críticos do regime. O diário de operações cibernéticas do atacante revelou a criação de um obituário falso e fotografias de uma lápide para o dissidente Jie Lijian, mensagens que foram posteriormente espalhadas pela internet.

Outro relatório detalhou os esforços para banir o ativista Hui Bo do X, através do envio de milhares de denúncias falsas contra a sua conta e da criação de dezenas de perfis falsos com a sua imagem. Como resultado, a conta do ativista foi efetivamente restringida a 29 de novembro de 2025. Ocorreram ainda situações em que os serviços de segurança pública criaram escândalos sexuais falsos envolvendo três dissidentes, espalhando as alegações pelo Reddit, YouTube, Tumblr e Behance.

Ben Nimmo, investigador principal da equipa de informações da empresa responsável pelo modelo, explicou que estas operações são concebidas para assediar e silenciar críticos, funcionando como repressão transnacional meticulosamente planeada para atingir os alvos em múltiplas frentes. Esta atividade partilha semelhanças com a conhecida campanha Spamouflage, que a Meta atribuiu a indivíduos ligados às autoridades policiais chinesas num relatório de agosto de 2023, segundo a informação partilhada pelo The Register.

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