
O Brasil tornou-se no segundo maior mercado da Apple TV em número de subscritores e é atualmente o que apresenta o crescimento mais rápido para a plataforma de streaming. A revelação foi feita por Eddy Cue, vice-presidente sénior de serviços da marca, durante uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
À margem de um evento em Santa Mónica, onde a empresa apresentou as suas novidades de conteúdo para 2026, Cue reconheceu que a plataforma ainda não produziu qualquer conteúdo original em território brasileiro. Enquanto plataformas concorrentes como a Amazon e a Disney já transformaram o país num importante polo de produção, a empresa da maçã encontra-se numa fase de recuperação para acompanhar esta tendência. O executivo sublinhou que a expansão não avança tão rápido quanto gostaria, especialmente devido à exigência em manter um elevado padrão de qualidade, mas garantiu que existe uma grande oportunidade para criar conteúdos fortes na região.
A magia do cinema e as movimentações na indústria
Durante a entrevista, o responsável reafirmou o compromisso da plataforma com os lançamentos nos cinemas através de parcerias de distribuição. O sucesso de "F1: The Movie", que foi distribuído nos cinemas pela Warner Bros. e alcançou uma nomeação aos Óscares, foi apontado como um exemplo claro desta estratégia. Cue admitiu que a exigência para fazer as pessoas saírem de casa e irem ao cinema é cada vez maior, mas acredita que a experiência coletiva de ver um filme no grande ecrã continua a ser verdadeiramente insubstituível.
Na altura em que a entrevista foi realizada, existiam rumores no mercado sobre possíveis aquisições no setor do entretenimento. Questionado sobre se um potencial negócio poderia complicar os acordos de distribuição nos cinemas, Cue mostrou-se despreocupado, destacando a excelente relação com a equipa da gigante do streaming e com o seu diretor executivo, Ted Sarandos. Curiosamente, a corrida pela aquisição sofreu uma reviravolta recente, abrindo espaço para a Paramount avançar com a compra da Warner Bros., um negócio que aguarda agora aprovação regulatória.
Finanças sob pressão e a parceria inédita na Fórmula 1
Num movimento paralelo no mercado norte-americano, foi estabelecida uma parceria inédita com a Netflix para trazer a mais recente temporada de Formula 1: Drive to Survive diretamente para a Apple TV. Apesar deste dinamismo no catálogo e das parcerias estratégicas, os números financeiros apresentam desafios consideráveis para a tecnológica.
Um relatório publicado em março de 2025 pela The Information revelou que as subscrições cresceram para cerca de 45 milhões em 2024, mas o serviço continua a registar perdas anuais superiores a mil milhões de dólares. A empresa tem investido mais de cinco mil milhões de dólares por ano em conteúdos originais desde o lançamento em 2019, mas este valor sofreu um corte de 500 milhões de dólares em 2024, numa clara resposta às diretrizes de contenção de custos lideradas por Tim Cook e pelos restantes executivos de topo.












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