
A ofensiva da LaLiga contra a transmissão ilegal de jogos de futebol em bares, restaurantes e cafés (o setor HORECA) atingiu um novo marco. Segundo o comunicado oficial da entidade, já foram ultrapassadas as 2.000 sentenças condenatórias contra espaços comerciais. A estratégia tem ganho uma tração sem precedentes, com 317 casos atualmente em fase de instrução e 488 locais a aguardar julgamento oral, provando que o recurso à via penal deixou de ser uma exceção para se tornar a norma na proteção dos direitos de transmissão.
A velocidade destas ações judiciais é notável. A campanha, iniciada em 2019, resultou numa média de quase uma condenação por dia. Para colocar em perspetiva, em julho de 2024, a organização celebrava as primeiras 1.000 sentenças. Em setembro de 2025, o número já ascendia a mais de 1.600, impulsionado por 611 vitórias judiciais apenas no último ano. Agora, cerca de meio ano depois, a fasquia das 2.000 foi superada, evidenciando uma forte intensificação do cerco aos infratores.
O impacto das denúncias pagas e a verificação visual
Um dos motores deste crescimento acelerado foi a implementação, em janeiro deste ano, de um incentivo de 50 euros para denúncias válidas. A organização desportiva transformou os próprios clientes em colaboradores ativos no combate à pirataria. Este esquema foi oficialmente confirmado a 28 de janeiro de 2026, garantindo o pagamento após a validação das provas fornecidas pelos utilizadores.
O processo de deteção foi também simplificado ao máximo para o consumidor comum. A LaLiga instruiu o público a observar os cantos dos ecrãs dos televisores nos estabelecimentos: a presença da letra "B" indica um bar legalizado, enquanto um "A" sinaliza uma casa de apostas. A ausência destas marcas é um forte indício de transmissão não autorizada. Nestes casos, basta captar algumas fotografias com o telemóvel para formalizar a denúncia e validar a prova.
Prejuízos milionários e a realidade europeia do IPTV
O esforço agressivo justifica-se com o rombo financeiro no setor. A LaLiga calcula que a pirataria em Espanha gera perdas anuais na ordem dos 600 a 700 milhões de euros. Este impacto negativo estende-se muito além dos clubes principais, afetando o desporto feminino, as camadas jovens, as contribuições para a RFEF e o CSD, e até a própria arrecadação fiscal do país. Em contrapartida, informações partilhadas em setembro de 2025 indicavam que a subscrição legal do serviço LaLiga Bares pode impulsionar a afluência de clientes até 50% e aumentar o consumo individual em 40% durante os jogos.
Apesar de a LaLiga afirmar ter reduzido a pirataria em 60% durante a temporada 2024/25, o cenário europeu permanece bastante complexo. Uma avaliação da Comissão Europeia de novembro de 2025 concluiu que os avanços na contenção das transmissões ilegais ao vivo foram limitados. Paralelamente, o observatório da EUIPO alertou para um novo crescimento das visitas a plataformas piratas no início de 2025, com picos registados entre fevereiro e março desse ano, impulsionados pela crescente popularidade do IPTV.
Os dados de execução também explicam por que motivo a organização insiste tanto em judicializar os casos e em promover bloqueios massivos de internet durante os eventos desportivos, uma tática que ganhou especial força em meados de 2025. Um relatório da Grant Thornton, referente ao primeiro semestre de 2024, identificou pelo menos 5,3 milhões de emissões ilícitas, das quais mais de 80% não chegaram a ser interrompidas a tempo. A dimensão do desafio reflete-se ainda nos números da EUIPO, que aponta que 42% dos jovens espanhóis (entre os 15 e os 24 anos) acedem a transmissões desportivas ilegais, um valor que contrasta com a média de 27% registada em toda a União Europeia para a mesma faixa etária.












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