
Três indivíduos foram formalmente acusados pelo Ministério Público do Distrito Sul de Nova Iorque de orquestrarem uma rede ilegal de exportação de placas gráficas da NVIDIA para o território chinês. Segundo um comunicado do Departamento de Justiça dos EUA, a operação contornou a Lei de Reforma do Controlo de Exportações, desviando componentes que são atualmente a base fundamental para o treino e execução de modelos complexos de inteligência artificial.
Um plano elaborado na Super Micro Computer
Os acusados são Yih-Shyan "Wally" Liaw, Ruei-Tsang "Steven" Chang e Ting-Wei "Willy" Sun, dois funcionários e um prestador de serviços ligados à empresa de tecnologia norte-americana Super Micro Computer. O grupo terá montado um esquema de vários passos que envolvia a criação de encomendas falsas de servidores equipados com chips da NVIDIA, teoricamente destinados a empresas do Sudeste Asiático, mas que acabavam por ser enviados de forma secreta para a China.
Para encobrir o rasto, o plano passava por pagar a uma empresa de logística para reempacotar os equipamentos em Taiwan. Além disso, preparavam servidores falsos para serem inspecionados pela equipa de conformidade da própria Super Micro Computer e falsificavam os registos, garantindo que a empresa não percebesse o verdadeiro destino do material. As autoridades indicam que o trio facilitou a compra ilegal de servidores avaliados em cerca de 2,3 mil milhões de euros (2,5 mil milhões de dólares) entre os anos de 2024 e 2025.
O impacto na empresa e o histórico de contrabando
Embora a Super Micro Computer não seja nomeada como ré na acusação, o impacto do caso fez-se sentir nas ações da empresa na bolsa. Em resposta à situação, a tecnológica emitiu um comunicado onde se distancia das ações do grupo. Yih-Shyan Liaw, vice-presidente sénior de desenvolvimento de negócios, e Ruei-Tsang Chang, gestor de vendas em Taiwan, foram suspensos de funções. A relação contratual com Ting-Wei Sun foi terminada com efeitos imediatos.
Este caso está longe de ser um incidente isolado no que toca ao contrabando de hardware da NVIDIA a partir dos Estados Unidos. Após a administração de Donald Trump ter apertado as regras de exportação, estima-se que cerca de 920 milhões de euros em chips de inteligência artificial tenham sido vendidos ilegalmente em apenas três meses. Mais recentemente, em dezembro de 2025, as autoridades do Texas apreenderam mais de 46 milhões de euros em placas gráficas que tinham como destino o mercado chinês. A constante procura por tecnologia de inteligência artificial continua a alimentar o mercado paralelo pelo hardware necessário para a sua evolução.












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