
De acordo com o mais recente Arval Fleet and Mobility Barometer, a adoção de veículos elétricos nas frotas empresariais continua a crescer a um ritmo acelerado, com a transição energética a consolidar-se como uma prioridade para os gestores. O estudo, que inquiriu mais de 10 mil profissionais do setor em 33 países entre agosto e novembro de 2025, revela que a esmagadora maioria das empresas antecipa a manutenção ou o crescimento do volume das suas viaturas ao longo dos próximos três anos.
Os dados mostram que 92% das organizações consultadas esperam um volume de frota estável ou em expansão, com 15% a preverem mesmo um crescimento efetivo. Esta tendência tem-se mantido consistente nos últimos três anos. No que diz respeito ao modelo de financiamento, o leasing continua a dominar as preferências empresariais: 60% dos veículos são adquiridos por esta via, dividindo-se de forma equilibrada entre leasing financeiro (31%) e renting ou full-service (29%). A compra direta a pronto continua, ainda assim, a representar 31% das opções.
O domínio da eletrificação e a aposta nos automóveis usados
As tecnologias de propulsão alternativas ganham cada vez mais peso na estratégia corporativa. Na amostra focada no mercado alemão, 84% das empresas já implementaram ou planeiam adotar viaturas de energia alternativa num prazo muito curto. Mais expressivo ainda é o facto de 70% destas empresas já utilizarem veículos 100% elétricos nas suas operações diárias, um valor substancialmente superior à média registada na restante Europa, que se fixa atualmente nos 57%.
A eletrificação é fortemente impulsionada pela necessidade de cumprir as novas diretivas de responsabilidade social corporativa (38%), operando também como uma ferramenta para mitigar o impacto ambiental (38%) e controlar os custos associados aos combustíveis (34%). A expansão das zonas de baixas emissões nos centros urbanos ganhou também especial relevância, sendo apontada por 30% dos inquiridos como um fator de decisão estrutural. Em simultâneo, regista-se uma alteração profunda no ciclo de vida dos automóveis: as empresas mantêm agora os seus veículos durante mais tempo, passando de uma média de 4,9 para 5,5 anos, e 46% já integram viaturas em segunda mão nas suas frotas.
Os desafios da infraestrutura e a fiabilidade técnica
A transição para a mobilidade elétrica nas empresas não está isenta de obstáculos práticos, sendo a infraestrutura o principal ponto de atrito. Para 63% das entidades, a falta de soluções de carregamento figura como a maior barreira à adoção, com destaque para a ausência de postos nas residências dos colaboradores (31%) ou nas próprias instalações físicas da organização (27%). Apesar das dificuldades e dos custos de aquisição mais elevados, existe um esforço claro por parte dos empregadores para facilitar a transição, com 88% a demonstrarem disponibilidade para financiar a instalação de pontos de carregamento domésticos.
Katharina Schmidt, responsável de consultoria no Arval Mobility Observatory, sublinha que os receios quanto à degradação da bateria em elétricos usados são essencialmente infundados. Os dados da empresa indicam que a capacidade energética se mantém na casa dos 93% mesmo após 70 mil quilómetros de utilização. Isto posiciona o mercado de usados como uma peça fundamental para baratear a conversão das frotas corporativas. Contudo, e apesar dos avanços tecnológicos, a ansiedade com a autonomia disponível subiu de 8% na edição anterior do estudo para os atuais 18%, um fenómeno que pode ser explicado pela chegada da mobilidade elétrica a grupos de gestores e utilizadores ainda sem experiência prévia com a tecnologia.












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