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macbook neo

A aplicação da lei da cópia privada em Portugal voltou a ser tema de debate internacional após um entusiasta de tecnologia ter notado uma taxa adicional na compra de um MacBook Neo. De acordo com a publicação partilhada na rede social X pelo utilizador @levelsio e os detalhes avançados pelo Tom's Hardware, a fatura do equipamento da Apple inclui uma cobrança de 2,05 euros destinada a compensar os detentores de direitos de autor, uma medida legal que afeta praticamente todos os dispositivos de armazenamento no país.

O custo da cópia privada nos dispositivos modernos

Esta legislação não é uma exclusividade portuguesa, existindo medidas semelhantes em países como a Alemanha e a Suécia. No entanto, a sua aplicação em Portugal destaca-se pelos valores cobrados. As leis 62/98 e 49/2015 abrangem todo o tipo de suportes digitais e analógicos, incluindo câmaras, impressoras e scanners, que podem pagar uma taxa fixa de até 20 euros.

imagem do preço do macbook neo em portugal

No caso do armazenamento, os valores variam substancialmente consoante o tipo de equipamento. Aparelhos como computadores e discos externos pagam 0,004 euros por gigabyte, enquanto telemóveis e tablets pagam 0,12 euros por gigabyte. Existem ainda limites máximos estipulados, que podem chegar aos 7,5 euros para alguns dispositivos e aos 15 euros no caso específico das consolas, que pagam uma taxa de 0,20 euros por gigabyte.

Impacto financeiro e a eficácia da lei

O peso destas taxas ganha outra dimensão quando enquadrado na realidade económica nacional, onde o salário mediano ronda os 1000 euros e o país atravessa uma crise habitacional profunda. Apesar de a capacidade de armazenamento ter crescido significativamente nos últimos anos, as receitas geradas por esta taxa dispararam de forma drástica, passando de 600 mil euros em 2014 para 36 milhões de euros em 2022, o que representa um aumento de 60 vezes.

A justificação teórica para esta cobrança reside na compensação aos artistas por eventuais cópias das suas obras. Contudo, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) atua como intermediária, retendo uma parte e cobrando custos próprios, além de exigir taxas de licenciamento a vários estabelecimentos comerciais. Isto resulta num cenário onde muitos músicos independentes optam por não se registar, uma vez que não conseguiriam recuperar os custos envolvidos, acabando a lei por beneficiar predominantemente os grandes nomes da indústria. Além disso, com a adoção em massa dos serviços de streaming, a cópia de ficheiros originais entre pessoas tornou-se uma prática pouco comum.

Os críticos argumentam que a lei atua de forma preventiva, punindo os consumidores por um ato de pirataria que podem nunca vir a cometer. Até o setor empresarial enfrenta dificuldades em obter isenções, uma vez que os vendedores não conseguem prever que o armazenamento não será utilizado para fins ilícitos. Enquanto países como a Finlândia aboliram esta taxa em 2015 e existem apelos para uma reforma a nível europeu, a medida mantém-se em vigor no mercado português.

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