
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos decidiu proibir a importação de todos os futuros routers de consumo fabricados em países estrangeiros, a menos que os fabricantes obtenham uma isenção especial, de acordo com as informações detalhadas nos documentos oficiais da FCC. Esta medida enquadra-se na mesma estratégia que resultou na proibição de importação de drones estrangeiros no passado mês de dezembro.
O impacto na indústria e a justificação de segurança
A agência norte-americana justifica a decisão com um risco inaceitável para a segurança nacional e para os cidadãos do país. Segundo a FCC, permitir que os equipamentos produzidos no estrangeiro dominem o mercado cria riscos económicos e de cibersegurança graves. A entidade aponta o dedo a ciberataques como o Volt, Flax e Salt Typhoon, que visaram infraestruturas críticas, referindo que os Estados Unidos não podem continuar a depender de outras nações para o fabrico destes dispositivos vitais para a internet.
Se já tens um router em casa, não precisas de te preocupar. Os equipamentos atuais e aqueles que já receberam autorização prévia da FCC podem continuar a operar e a ser importados. No entanto, como a esmagadora maioria dos routers de consumo é fabricada fora dos EUA, esta regra bloqueia de forma efetiva a entrada de novos modelos no país, uma vez que a agência deixará de autorizar as respetivas comunicações rádio. A diretiva foca-se especificamente em routers de nível de consumidor, definidos como equipamentos destinados a uso residencial e que podem ser instalados pelo próprio cliente.
As alternativas para as marcas e as ironias do mercado
A partir de agora, os fabricantes deparam-se com duas opções: ou garantem uma aprovação condicional, que lhes permite continuar a importar novos produtos enquanto provam ao governo que planeiam abrir linhas de produção em território norte-americano, ou abandonam a venda de futuros equipamentos nos EUA, à semelhança da decisão tomada pela DJI com os seus drones.
A TP-Link, uma das marcas mais presentes no mercado de consumo norte-americano, alertou que a totalidade da indústria será afetada. Num comunicado partilhado por um porta-voz, a empresa esclareceu que praticamente todos os routers são feitos fora dos EUA, incluindo os de marcas sediadas no país. A própria TP-Link, que se separou da sua entidade chinesa em 2022, estabeleceu a sede global na Califórnia em 2024 e processou a Netgear em 2025 por alegações de infiltração do governo chinês, fabrica atualmente os seus produtos no Vietname.
A ironia desta medida governamental reside nos próprios ataques citados pela FCC para justificar o bloqueio. No caso do Volt Typhoon, o Departamento de Justiça revelou que os hackers patrocinados pelo estado chinês visaram principalmente equipamentos da Cisco e da Netgear, marcas norte-americanas. A vulnerabilidade destes sistemas não se deveu ao local de fabrico, mas sim ao facto de as empresas terem deixado de fornecer atualizações de segurança para modelos que já se encontravam descontinuados.












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