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Dispositivo em uso

O mercado de equipamentos em segunda mão está a ganhar cada vez mais força em Portugal. Um estudo recente do Observador Cetelem revela que 66% dos consumidores nacionais já adquiriram produtos recondicionados, embora a esmagadora maioria imponha uma condição clara para o fazer: o preço tem de ser, pelo menos, 30% inferior ao de um artigo novo equivalente.

Tecnologia domina as preferências de compra

A análise efetuada demonstra que o setor tecnológico é o grande motor deste tipo de transações. Entre os inquiridos que já optaram por artigos em segunda mão, 45% das compras focam-se em dispositivos eletrónicos, como é o caso dos telemóveis e dos computadores. Logo de seguida surge o mobiliário, com 28% das preferências, e os equipamentos de entretenimento a fixarem-se nos 17%. As perspetivas futuras mantêm esta tendência, com 51% dos utilizadores a admitirem a compra de tecnologia recondicionada, superando largamente o entretenimento e o mobiliário.

Quando colocados perante valores idênticos, 33% dos consumidores preferem adquirir um dispositivo recondicionado de uma gama superior, em detrimento dos 25% que optam por um produto novo, mas de gama mais baixa. Para que a compra se concretize, os portugueses procuram garantias de segurança e fiabilidade. Cerca de 41% consideram fundamental uma garantia superior a um ano, 40% valorizam a possibilidade de troca ou devolução imediata, e 39% exigem que o artigo venha acompanhado por um relatório de qualidade após testes rigorosos.

Confiança no mercado e as barreiras à adoção

Apesar do crescimento visível, o mercado ainda tem de convencer 34% da população que resiste a este formato de consumo. O principal obstáculo continua a ser a falta de confiança no processo. Os dados indicam que 31% dos inquiridos desconfiam da qualidade e durabilidade a longo prazo, enquanto 29% têm receio de eventuais avarias ou de mau funcionamento. A somar a isto, um quarto dos consumidores (25%) prefere simplesmente a experiência de estrear um bem novo, e 23% apontam a falta de clarividência nas garantias como um entrave decisivo para avançar com o pagamento.

É precisamente esta necessidade de segurança que dita os locais onde os portugueses preferem gastar o seu dinheiro. A grande maioria foge dos negócios informais, com apenas 15% a sentirem conforto em comprar diretamente a particulares. Em contraste, 60% privilegiam as lojas especializadas na área de usados, seguidas pelas grandes superfícies comerciais (34%) e pelas plataformas online dedicadas a este segmento (29%). De um modo geral, o cenário é de forte expansão em território nacional, com 89% dos inquiridos a equacionarem a aquisição de artigos em segunda mão no futuro e 62% a perspetivarem um crescimento acentuado da tendência nos próximos cinco anos, impulsionado pela procura de preços mais acessíveis e por mudanças graduais nos hábitos de sustentabilidade.

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