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Casa de papel

A compra de casa em Portugal parece ter atingido um planalto em março de 2026. Segundo os dados mais recentes do Barómetro Geral partilhados pelo Imovirtual, o valor médio para aquisição de habitação estabilizou nos 440.000 euros. Por outro lado, o mercado de arrendamento trouxe boas notícias para quem procura casa, com os valores mensais a registarem uma descida significativa face a fevereiro, refletindo um cenário de ajustamento no setor imobiliário nacional.

Compra de casa: Estabilização nacional e subidas no Norte

Os dados do portal indicam que, após um longo período de valorização, o preço de venda das propriedades fixou-se nos mesmos 440.000 euros verificados no mês transato. No entanto, numa análise homóloga, este valor representa ainda um encarecimento de 10% quando comparado com março de 2025.

A região Norte destaca-se como o território onde o preço de venda é mais elevado, fixando-se nos 365.000 euros em média, o que traduz uma subida mensal de 5,8%. Distritos como o Porto e Braga continuam a puxar os valores para cima, com médias de 425.000 e 370.000 euros, respetivamente. No Centro do país, a subida anual impressiona, atingindo os 23% e colocando a média nos 287.500 euros, impulsionada por regiões como Santarém e Leiria. Já Lisboa regista sinais de estabilização com uma ligeira retração mensal de 0,8%, embora o preço médio ainda se cifre nuns consideráveis 640.000 euros. Nas ilhas, a Ilha Terceira protagonizou um dos maiores saltos do país, disparando mais de 70% para os 290.000 euros.

Arrendamento ganha fôlego com quebra nos preços

Para quem prefere ou precisa de arrendar, o mês de março trouxe algum alívio. Após o pico atingido em fevereiro, onde as rendas médias rondavam os 1.500 euros, o valor nacional desceu para os 1.350 euros. Apesar desta correção, o mercado contínua 8% mais caro do que o verificado no mesmo período do ano passado.

O Sul do país lidera a tabela das rendas mais elevadas e com maior crescimento anual, atingindo os 1.100 euros mensais, muito devido à pressão na oferta em cidades como Évora e Faro. A Norte, as rendas médias situam-se nos 950 euros, evidenciando um crescimento consistente. A região Centro afirma-se como a opção mais acessível do território continental, com uma média de 812 euros mensais. Como seria de esperar, Lisboa mantém o título de mercado mais exigente de Portugal: apesar de uma quebra de 2,8% este mês, arrendar casa na capital custa, em média, 1.750 euros.

Procura afasta-se dos grandes centros urbanos

Esta dinâmica reflete uma alteração estrutural no comportamento dos consumidores. Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, explica que o mercado está a entrar numa fase de maior equilíbrio, com a estabilização na compra e o ajuste no arrendamento. A responsável salienta que continua a ser evidente uma redistribuição da procura para zonas fora dos grandes centros, onde as famílias tentam encontrar uma melhor relação entre a acessibilidade e o custo de vida.

Com o acesso aos grandes polos urbanos cada vez mais desafiante financeiramente, os mercados periféricos e do interior continuam a ganhar relevância, resultando num panorama habitacional cada vez mais diverso e assimétrico em todo o país.

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