
A Super Micro Computer, Inc. está a braços com uma ação judicial movida por um grupo de acionistas que acusa a tecnológica de ocultar a sua dependência de vendas ilegais no mercado chinês. De acordo com as informações avançadas pela Reuters, a empresa é suspeita de cometer fraude de valores mobiliários ao apresentar uma saúde financeira artificialmente robusta, baseada em atividades que violariam os controlos de exportação dos Estados Unidos.
O esquema dos servidores fantasma e o impacto financeiro
O caso ganhou contornos mais graves na semana passada, quando três funcionários da Super Micro, incluindo o cofundador Yih-Shyan “Wally” Liaw, foram formalmente acusados de conspirar para desviar tecnologia de inteligência artificial de última geração para a China. Estima-se que estas exportações ilícitas de chips de alto desempenho da Nvidia tenham gerado cerca de 2,3 mil milhões de euros em vendas durante o ano de 2024, o que representa mais de 16% da faturação total da companhia nesse período.
A revelação destas práticas provocou um terramoto na bolsa, com as ações da Super Micro a registarem uma queda abrupta de 33%. Este tombo financeiro eliminou mais de 5,5 mil milhões de euros em valor de mercado, deixando os investidores numa situação de prejuízo considerável e com a confiança abalada na gestão da organização.
O esquema detalhado nos relatórios aponta para uma operação sofisticada e deliberada. Servidores reais da marca eram enviados para armazéns no Sudeste Asiático, onde os números de série eram removidos e trocados por equipamentos fictícios ("dummy servers") para enganar os inspetores. Enquanto os servidores verdadeiros seguiam para a China através de empresas de fachada e documentação fabricada, milhares de unidades falsas permaneciam na região para simular uma operação legítima de entrega a clientes locais.
O mercado negro de chips e a mudança de estratégia nos EUA
Este não é um caso isolado na justiça norte-americana. Recentemente, três indivíduos foram indiciados num processo semelhante de contrabando de hardware para território chinês. O Departamento de Justiça revelou inclusive mensagens trocadas entre os conspiradores, onde se discutia abertamente a procura de parceiros que servissem de ponte para clientes na China. Estes incidentes reforçam a existência de um mercado negro ativo de componentes da Nvidia em países como Singapura e Malásia.
Contudo, o cenário político sofreu uma alteração profunda no final de 2025. O presidente Donald Trump decidiu reverter a política anterior e levantou a proibição de exportação das gráficas H200 para a China. Com esta decisão, chips que antes alimentavam esquemas de contrabando podem agora ser comercializados legalmente.
Jensen Huang, o CEO da NVIDIA, confirmou que a empresa já recebeu as licenças necessárias do governo dos Estados Unidos e que já existem encomendas de clientes chineses para o hardware H200. Apesar desta abertura, a incerteza regulatória e a corrida global pelo desenvolvimento do modelo de inteligência artificial mais avançado continuam a levar algumas empresas a recorrer a canais paralelos para garantir o fornecimento de GPUs de alto desempenho.












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