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planeta no espaço

Investigadores identificaram um novo tipo de mundo a cerca de 35 anos-luz da Terra. O exoplaneta L 98-59 d desafia as classificações astronómicas atuais ao apresentar um oceano global e permanente de magma, acompanhado por uma espessa atmosfera carregada de gases sulfurosos.

Segundo o estudo publicado na revista Nature Astronomy a 16 de março, esta descoberta liderada pela Universidade de Oxford, em colaboração com outras instituições europeias, representa uma classe inédita de corpos celestes. Em vez de ser uma típica anã gasosa ou um mundo coberto por oceanos de água profunda, os cientistas depararam-se com um ambiente extremo onde o sulfureto de hidrogénio domina — o que daria a este planeta um intenso cheiro a ovos podres.

O reservatório de magma que sustenta a atmosfera

Com cerca de 1,6 vezes o tamanho da Terra e uma densidade invulgarmente baixa, as características do L 98-59 d intrigaram os especialistas. Através de simulações e modelos computacionais que reconstituíram milhares de milhões de anos da sua evolução, a equipa concluiu que o manto do exoplaneta é composto por silicato fundido, semelhante à lava terrestre.

Este vasto oceano de magma estende-se por milhares de quilómetros de profundidade e atua como um gigantesco depósito interno. É este reservatório que retém enormes quantidades de enxofre e vai libertando os compostos voláteis de forma gradual. Sem este mecanismo, a intensa radiação emitida pela sua estrela hospedeira, uma anã vermelha, já teria varrido a atmosfera para o espaço. Observações cruciais realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb em 2024 já tinham confirmado a presença de dióxido de enxofre na atmosfera superior, validando a ocorrência destas complexas reações químicas desencadeadas pela luz ultravioleta.

Uma janela para o passado do nosso Sistema Solar

As simulações sugerem que o L 98-59 d se formou originalmente com uma vasta quantidade de materiais voláteis, assemelhando-se no passado a um planeta do tipo sub-Neptuno. Ao longo do tempo, o corpo celeste foi arrefecendo, perdeu parte do seu invólucro gasoso e encolheu. Como os oceanos de magma são considerados uma fase inicial comum na formação de todos os planetas rochosos, incluindo a Terra e Marte, a exploração deste exoplaneta fornece dados valiosos sobre a infância do nosso próprio sistema planetário.

Harrison Nicholls, o investigador principal do projeto, sublinha que as categorias astronómicas que utilizamos atualmente podem ser demasiado simplistas perante a real diversidade do universo. Embora seja altamente improvável que este mundo derretido possua condições para abrigar vida, o seu estudo abre portas para novas descobertas. Futuras missões espaciais, como a Ariel e a PLATO, aliadas a técnicas avançadas de aprendizagem automática, prometem aprofundar o nosso conhecimento sobre a frequência destes planetas intensamente sulfurosos e a evolução dos mundos alienígenas na galáxia.

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