
A adoção de ferramentas de inteligência artificial continua a crescer de forma acentuada, mas este aumento de utilização não se traduz numa maior confiança. Segundo uma nova sondagem divulgada pela Universidade de Quinnipiac, a esmagadora maioria dos norte-americanos recorre a estas soluções no dia a dia para pesquisa, escrita e análise, mesmo admitindo um profundo receio e ceticismo em relação ao seu impacto na sociedade.
Os resultados revelam que 76% dos inquiridos confiam na tecnologia raramente ou apenas às vezes, em contraste com os 21% que afirmam confiar na maior parte do tempo. Curiosamente, a taxa de pessoas que nunca utilizaram estas ferramentas desceu para 27%, em comparação com os 33% registados em abril de 2025. Atualmente, cerca de 51% dos cidadãos admitem usar as plataformas regularmente para fins profissionais ou académicos.
O paradoxo da adoção e o receio pelo futuro do trabalho
Existe um sentimento geral de apreensão quanto ao que o futuro reserva. Apenas 6% dos inquiridos afirmam estar muito entusiasmados com os avanços, enquanto 80% assumem estar preocupados, com os millennials e os baby boomers a liderarem este receio. Mais de metade da amostra (55%) acredita que a tecnologia trará mais prejuízos do que benefícios ao quotidiano.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, o pessimismo é evidente. Cerca de 70% dos norte-americanos acreditam que o número de oportunidades de emprego vai diminuir, um aumento significativo face aos 56% do ano passado. A Geração Z é a mais cética, com 81% a preverem cortes nos postos de trabalho. Contudo, quando questionados sobre os seus próprios empregos, apenas 30% dos trabalhadores ativos temem a obsolescência direta, sugerindo que a maioria prevê um mercado difícil a nível global, mas não necessariamente para a sua própria função.
Oposição aos centros de dados e exigência de regulação
A expansão das infraestruturas necessárias para sustentar estes modelos também gera forte oposição. A sondagem indica que 65% dos cidadãos rejeitam a construção de novos centros de dados nas suas comunidades locais, apontando os elevados custos de eletricidade e o consumo excessivo de água como as principais razões para esta recusa.
A raiz desta desconfiança generalizada parece residir na falta de transparência das empresas tecnológicas. Dois terços dos inquiridos consideram que as organizações não são claras sobre a forma como implementam e gerem estas soluções. A mesma percentagem defende que o governo não está a fazer o suficiente para regular o setor, num momento em que a atual administração de Donald Trump promove um quadro legal mais flexível e focado na autorregulação da indústria tecnológica.












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