
As perdas financeiras resultantes de crimes na internet atingiram valores nunca antes vistos nos Estados Unidos durante o último ano. De acordo com o mais recente relatório do Bleeping Computer, os cidadãos norte-americanos perderam quase 21 mil milhões de dólares (cerca de 19,4 mil milhões de euros) em 2025. Este valor representa um aumento acentuado de 26% em relação a 2024, impulsionado maioritariamente por esquemas de investimento, fraudes com suporte técnico e roubo de emails empresariais.
O Centro de Queixas de Crimes na Internet da agência federal ultrapassou a barreira de um milhão de denúncias no ano transato, um salto considerável face às 859 mil recebidas no período anterior. Os ataques de phishing lideram a tabela das queixas mais frequentes, seguidos de perto por esquemas de extorsão e fraudes relacionadas com investimentos. Embora os números absolutos sejam menores, as autoridades registaram também um volume expressivo de ameaças mais complexas e direcionadas, incluindo violações de dados, ataques de ransomware e casos de clonagem de cartões SIM.
O impacto das criptomoedas e o peso das novas tecnologias
As fraudes ligadas a investimentos representaram quase metade de todos os incidentes registados, resultando em perdas diretas na ordem dos 8,6 mil milhões de dólares. No entanto, os crimes cibernéticos focados em criptomoedas foram os grandes responsáveis pelo rombo financeiro global, causando prejuízos superiores a 11 mil milhões de dólares espalhados por mais de 181 mil casos reportados. A população com mais de 60 anos continua a ser a mais vulnerável a estas táticas, acumulando perdas de 7,7 mil milhões de dólares, o que traduz um agravamento de 37% face aos números do ano anterior.
Pela primeira vez, os registos oficiais documentam o custo dos esquemas baseados em inteligência artificial. Estas campanhas geraram mais de 22 mil queixas e levaram ao desvio de 893 milhões de dólares. Os criminosos socorreram-se de tecnologias de clonagem de voz, perfis falsos, documentos forjados e vídeos manipulados para enganar as vítimas com um elevado grau de realismo. Adicionalmente, as infraestruturas críticas do país não escaparam à mira dos atacantes, com incidentes registados em barragens e instalações nucleares, sendo que os setores da saúde, manufatura e serviços financeiros continuam entre os mais visados.
A resposta das autoridades para travar os roubos
Para combater esta escalada de criminalidade digital, as forças de segurança reforçaram os mecanismos de bloqueio de ataques e de recuperação de fundos roubados. Através de intervenções diretas nas transações financeiras fraudulentas, foi possível congelar 679 milhões de dólares de um total de 1,16 mil milhões que estavam sob a mira dos atacantes em milhares de incidentes. As operações proativas desenvolvidas no início do ano permitiram também alertar milhares de pessoas que estavam a ser alvo de esquemas com moedas digitais. Os dados revelam que 78% destas vítimas não tinham qualquer noção de que estavam a ser ativamente enganadas.
As recomendações oficiais para evitar cair nestas armadilhas passam por manter a calma perante mensagens que exijam ações imediatas ou que recorram a táticas de pressão psicológica. É fundamental utilizar todos os meios alternativos disponíveis para confirmar a veracidade de qualquer comunicação antes de efetuar transferências de dinheiro ou de partilhar informações pessoais e sensíveis na internet.












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