
O Banco Central Europeu prepara-se para reunir com os principais responsáveis de risco das instituições bancárias da Zona Euro com o objetivo de analisar o impacto do Claude Mythos na cibersegurança do setor. Segundo informações avançadas pela Bloomberg, este encontro de alto nível decorre ainda durante esta semana e reflete a preocupação crescente com as capacidades avançadas do mais recente modelo de inteligência artificial da Anthropic.
Um modelo restrito com capacidades invulgares
Lançado no início deste mês, o Mythos destaca-se pela extrema eficácia na identificação de código malicioso e na exploração autónoma de vulnerabilidades informáticas. Devido ao enorme risco que a ferramenta apresenta se cair em mãos erradas, a empresa fundada por Dario Amodei optou por manter o modelo fechado ao público geral. Atualmente, apenas um grupo restrito de cerca de 40 entidades tecnológicas de topo, que inclui gigantes como a AWS e a Apple, possui autorização para utilizar a plataforma.
A criadora do sistema afirma que o modelo conseguiu detetar falhas críticas em redes de alta segurança de forma autónoma, sendo que alguns destes problemas permaneciam escondidos entre dez a vinte anos. O propósito desta estratégia de partilha exclusiva é garantir que as grandes infraestruturas informáticas conseguem antecipar-se aos cibercriminosos, bloqueando falhas antes de sofrerem qualquer tipo de intrusão.
O fosso entre os Estados Unidos e a Europa
A movimentação do supervisor financeiro europeu surge logo após o governo norte-americano ter tomado uma iniciativa idêntica. Na semana passada, Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, juntou-se com as chefias dos grandes bancos norte-americanos para debater os riscos de segurança inerentes ao aparecimento do Mythos. O mercado americano já regista avanços práticos, com bancos como o JPMorgan e o Goldman Sachs a integrarem a lista oficial de parceiros com acesso direto aos testes do modelo.
Em contraste, o cenário no continente europeu é de expectativa. Algumas instituições financeiras no Reino Unido têm indicação de que vão aceder à ferramenta a partir da próxima semana, mas os bancos do espaço comunitário continuam a aguardar aprovação. A organização governamental britânica AI Security Institute já validou a plataforma durante a sua fase de testes, assegurando que o sistema marca um salto notório no desempenho face às gerações anteriores.
Um setor em rápida transformação
O panorama da cibersegurança está a sofrer alterações profundas a um ritmo diário. A par da solução da Anthropic, a OpenAI revelou no passado dia 14 de abril a variante GPT-4.5-Cyber, uma versão treinada especificamente para a caça de vulnerabilidades. Seguindo a mesma filosofia da concorrência, esta alternativa da OpenAI foi igualmente bloqueada ao público comum, estando limitada a um lote de clientes cuidadosamente validados para evitar potenciais ciberataques.












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