
Um grupo composto por algumas das maiores editoras mundiais avançou com um pedido de indemnização de 19,5 milhões de dólares contra a biblioteca paralela Anna's Archive. A acompanhar este pedido financeiro está uma proposta de ordem judicial urgente que pretende forçar mais de vinte entidades internacionais, incluindo serviços de alojamento web e registo de domínios como a Cloudflare e a Njalla, a cortarem o acesso aos três domínios que mantêm a plataforma online.
A batalha legal intensificou-se quando uma coligação de treze editoras de renome, onde se incluem gigantes como a Penguin Random House, a Elsevier e a HarperCollins, apresentou o processo contra o portal. Segundo as acusações, o Anna's Archive está a facilitar um volume massivo de pirataria, disponibilizando milhões de obras protegidas que estão também a ser utilizadas para treinar modelos de inteligência artificial, conforme detalhado no TorrentFreak.
Esta ação surge no seguimento de um processo anterior movido por várias editoras discográficas, que agiram assim que o portal anunciou a intenção de publicar ficheiros extraídos da base de dados do Spotify. Perante essa pressão e uma primeira ordem judicial desfavorável, o Anna’s Archive perdeu vários domínios principais, o que obrigou a equipa a migrar as suas operações para os domínios .GL, .PK e .GD, que permanecem ativos.
Embora a indústria musical tenha conquistado uma vitória nos tribunais com uma indemnização de 322 milhões de dólares, o impacto prático foi limitado. A plataforma terá removido os ficheiros do Spotify que motivaram esse processo específico, mas continuou a distribuir a sua vasta coleção literária.
O Peso da Indemnização e o Alvo Estratégico
Como a distribuição de livros continua ativa e a alimentar sistemas de IA, as editoras procuram agora uma decisão sumária. O valor exigido atinge o limite máximo legal de 150.000 dólares por obra para um total de 130 títulos, resultando em 19,5 milhões de dólares — o equivalente a 1,5 milhões para cada uma das treze empresas envolvidas. Conforme a prática habitual em Portugal e na Europa, estes montantes servem de referência legal para o agravamento das sanções, ultrapassando os 18 milhões de euros ao câmbio atual.
No entanto, a compensação financeira é vista como secundária. Como os administradores da plataforma permanecem anónimos e dificilmente pagarão qualquer valor, o verdadeiro objetivo da coligação é o bloqueio definitivo da infraestrutura. A ordem anterior obtida pelas gravadoras perdeu força assim que os ficheiros musicais foram retirados, mas a nova providência foca-se na remoção do conteúdo literário que ainda se encontra acessível.
Cerco Apertado a Mais de 20 Intermediários
A proposta apresentada ao tribunal exige que a ordem de bloqueio seja aplicada a todos os registos, fornecedores de alojamento web e provedores de acesso à internet ligados aos três domínios sobreviventes, impedindo também a sua transferência para terceiros. O documento aponta diretamente a mais de vinte entidades específicas.
Além de nomes já conhecidos de processos anteriores como a Cloudflare e a Njalla, a lista inclui agora os responsáveis pelos registos regionais atuais: a TELE Greenland/Tusass (para o domínio .gl), a PKNIC (para o .pk) e a Comissão Nacional de Regulação de Telecomunicações de Granada (para o .gd). Diversas empresas de alojamento web e gestão, como a DDOS-Guard e a CentralNic Registry, também foram notificadas para cessarem serviços e preservarem provas digitais.
Sem uma defesa formal apresentada pela equipa do Anna's Archive, é provável que as editoras garantam uma vitória no papel. Contudo, a eficácia desta medida permanece incerta, uma vez que dependerá da capacidade da justiça norte-americana para impor a sua jurisdição a intermediários internacionais ou da conformidade voluntária destas empresas.












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