
O mundo da robótica deu um passo invulgar com a introdução de Gabi, o primeiro robô budista a ensinar esta religião ancestral num templo em Seul, na Coreia do Sul. Através da utilização de inteligência artificial avançada, este humanoide tem como missão principal despertar o interesse das novas gerações pelo budismo, fundindo a tradição milenar com a visão mais progressista da tecnologia atual.
Gabi tem cerca de 1,20 metros de altura, assemelhando-se à estatura de uma criança, e veste os trajes tradicionais dos monges. Durante uma cerimónia organizada pela ordem Jogye, a maior seita budista do país, o robô recebeu o colar japa mala e aceitou formalmente o desafio de se consagrar ao santo Buda. Segundo avançou o The New York Times, o líder dos monges explicou que a máquina seguiu todo o procedimento corretamente e tomou decisões por conta própria durante o ritual.
As cinco regras de ouro do monge artificial
Para garantir a sua integração segura na vida religiosa e social, foram entregues a Gabi cinco regras fundamentais que deve cumprir rigorosamente. Estas normas incluem o respeito absoluto pela vida, a proibição de causar danos a outros robôs, o dever de seguir os humanos sem contestação, manter uma conduta sempre adequada e a gestão eficiente da energia, evitando qualquer tipo de sobrecarga.
Esta especialização é o resultado direto dos novos métodos de treino e inferência que conferiram inteligência a máquinas que, até há pouco tempo, careciam de capacidades cognitivas. Este avanço reflete a explosão da IA generativa, que permitiu que o conceito de robôs de companhia ou de ensino passasse da ficção científica para a realidade quotidiana dos templos.
Robótica avança a ritmo acelerado na Ásia
A chegada de Gabi ocorre num cenário de produção massiva de humanoides, com a China a liderar o fabrico a nível mundial. Em 2026, estima-se que a produção de robôs equipados com inteligência artificial cresça cerca de 94%, com marcas como a Unitree e a AgiBot a dominarem a maior parte da quota de mercado.
Embora o objetivo de Gabi seja atrair os jovens e modernizar a imagem de uma religião conservadora, o projeto não escapou à polémica. Enquanto muitos elogiam a capacidade de inovação e a forma como a tecnologia pode servir a espiritualidade, existem críticos que apontam a ausência de alma na máquina como um sinal preocupante de um futuro distópico. Para os responsáveis pelo templo, no entanto, Gabi — cujo nome significa "misericórdia de Buda" — é apenas o início de uma era onde humanos e robôs caminharão lado a lado.












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