
As plataformas digitais enfrentam uma nova vaga de conteúdos enganosos e teorias da conspiração, desta vez impulsionadas pelo recente surto localizado de hantavírus. Entre vídeos manipulados, falsas declarações atribuídas a especialistas e alarmismo infundado, multiplicam-se publicações que recorrem ao medo para gerar milhares de partilhas.
Com o intuito de repor a verdade factual, analisamos as cinco maiores mentiras que estão a circular nas redes sociais sobre este tema, desmontando os mitos com base em dados oficiais partilhados pela SIC Notícias.
1. A OMS não declarou emergência global
Várias publicações virais alegam que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta internacional de nível máximo após terem surgido dezenas de casos espalhados por vários países.
Isto é completamente falso. A autoridade de saúde confirmou apenas a existência de um surto estritamente localizado e associado a um navio cruzeiro, sem qualquer indício de propagação à escala mundial. A única recomendação oficial da OMS visou o cumprimento de 42 dias de quarentena para os passageiros e tripulantes da embarcação, deixando a decisão final a cargo das autoridades de cada país.
O balanço oficial aponta para nove infeções confirmadas e duas prováveis, longe do cenário pandémico partilhado por perfis alarmistas.
2. Nenhuma relação com as vacinas da covid-19
Outra teoria sem fundamento científico tenta associar a síndrome pulmonar por hantavírus a um suposto efeito secundário crónico das vacinas contra a covid-19, utilizando como "prova" um documento da Pfizer.
A agência Reuters já desmentiu esta narrativa. O facto de a doença surgir listada num anexo de "Eventos Adversos de Especial Interesse" da farmacêutica não significa que o imunizante cause a infeção. O documento compila apenas ocorrências médicas reportadas de forma voluntária por cidadãos entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 nos Estados Unidos, sem que tenha sido estabelecido qualquer nexo de causalidade com a toma da vacina.
3. Rumores falsos sobre patentes na bolsa
Muitos utilizadores partilharam a informação de que as ações da empresa alemã CureVac teriam disparado no mercado financeiro devido à posse de uma patente secreta para uma vacina contra o vírus.
A mentira cai por terra com um simples detalhe financeiro: a CureVac já não se encontra cotada de forma independente na bolsa de valores, uma vez que foi adquirida pelo grupo BioNTech. Adicionalmente, o registo de patentes de sequências genéticas e métodos de tecnologia mRNA é uma prática padrão na indústria biotecnológica para salvaguardar a propriedade intelectual de estudos futuros, não equivalendo à existência de um tratamento pronto ou aprovado para comercialização.
4. Imagens descontextualizadas do passado
Uma fotografia que mostra o motorista de um autocarro a conduzir sem máscara tem sido partilhada como sendo o transporte arriscado de passageiros infetados no recente surto, gerando indignação sobre a falta de segurança dos trabalhadores.
Uma pesquisa inversa revela que a imagem está a ser usada de forma enganosa. A fotografia remonta a 2020 e retrata Andy Simonds, um motorista britânico que transportou cidadãos repatriados da cidade chinesa de Wuhan nos primeiros dias da pandemia de covid-19. O registo visual não tem qualquer ligação com o atual caso de Tenerife.
5. Declarações inventadas de Anthony Fauci
Por fim, circulam citações atribuídas ao conhecido imunologista norte-americano Anthony Fauci, alegando que este teria exigido o regresso imediato do uso obrigatório de máscaras devido ao avanço do hantavírus.
Não existe qualquer registo público, entrevista ou comunicado que sustente estas afirmações. O antigo rosto do combate sanitário nos Estados Unidos terminou a sua carreira pública em 2022 e não emitiu qualquer comentário oficial sobre o incidente no navio cruzeiro. As autoridades de saúde reiteram que a situação permanece controlada e circunscrita.












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