
O popular serviço de downloads e streaming Real-Debrid começou a apresentar erros de violação de direitos de autor em muitos torrents guardados em cache. O bloqueio em massa iniciou-se poucos dias após uma reestruturação corporativa na empresa mãe. De acordo com informações avançadas pelo TorrentFreak, os utilizadores mais antigos relatam perdas entre 50 a 70 por cento das suas bibliotecas durante a noite, com o novo filtro a focar-se em palavras-chave populares como WEB-DL, AMZN e [RARBG].
O Real-Debrid é um gerador de links premium gerido em França, capaz de descarregar ficheiros de cyberlockers e guardar torrents para streaming instantâneo. A plataforma é uma ferramenta essencial para muitos utilizadores do Stremio e do Kodi, sendo também amplamente utilizada como armazenamento na nuvem ilimitado por quem usa o Plex, Jellyfin e Emby em conjunto com o Sonarr e o Radarr.
Um filtro abrangente focado nos nomes dos ficheiros
No final de 2024, o serviço já tinha implementado medidas antipirataria, incluindo filtros de hash e palavras-chave, para responder às exigências da Fédération Nationale des Éditeurs de Films (FNEF). Apesar da reação negativa inicial, o serviço conseguiu reter grande parte da sua base de utilizadores. Agora, os ficheiros em cache que antes reproduziam sem problemas mostram a mensagem de erro a indicar que o ficheiro foi removido do serviço de debrid devido a infração de direitos de autor.
Segundo os relatos em plataformas como o Reddit, o novo filtro não ataca hashes específicos de torrents. Em vez disso, bloqueia nomes de ficheiros comuns em lançamentos P2P. A fornecedora de alojamento ElfHosted publicou uma lista de nomes afetados, onde constam grupos como [rartv], [rarbg] e [eztv], além de identificadores de origem como WEB-DL, WEBDL, WEB-Rip, WEBRip e AMZN. Esta estratégia indica que as remoções não resultam do conteúdo exato, mas sim da nomenclatura do ficheiro. Um utilizador notou que, em algumas séries, apenas as versões 4K e 4K HDR foram apagadas, enquanto as resoluções de 1080p permanecem disponíveis, o que reforça a teoria do filtro por palavras-chave.
Mudanças corporativas e a justificação oficial
A par desta eliminação massiva de conteúdo, a empresa mãe do Real-Debrid, a XT Network, passou por uma reestruturação legal. Os registos oficiais em França mostram que a sede mudou de Levallois-Perret para Montreuil no final de abril. A 7 de maio, a empresa transitou do formato SARL para SAS. Os dois fundadores deixaram de aparecer como gestores diretos, e as suas posições foram assumidas por holdings financeiras. A página legal do site já reflete esta atualização corporativa.
A XT Network respondeu aos questionamentos, confirmando que a reestruturação não tem qualquer relação com os bloqueios. A empresa clarifica que atua como um intermediário técnico dentro das regras da lei francesa e do Regulamento dos Serviços Digitais (DSA) da União Europeia. A operadora defende que não existe uma obrigação geral de monitorização, e que os filtros atuais resultam de listas de palavras-chave fornecidas por sinalizadores de confiança, cumprindo assim o Artigo 16 do DSA. O serviço mantém a porta aberta para que os utilizadores reportem erros caso identifiquem falsos positivos na plataforma.












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