
A agência federal norte-americana NTSB foi forçada a suspender temporariamente o acesso à sua base de dados, após descobrir que as vozes de pilotos falecidos num acidente de aviação no ano passado foram recriadas. O caso envolve o voo 2976 da UPS e a circulação do áudio na internet gerado por ferramentas de inteligência artificial, conforme revelado numa publicação de Scott Manley.
Como os dados visuais se transformaram em áudio
A lei federal dos Estados Unidos proíbe o NTSB de incluir gravações de áudio do cockpit no seu sistema público, que normalmente contém dados abertos sobre as investigações de acidentes. No entanto, o processo relativo ao acidente em Louisville, no Kentucky, incluía um ficheiro de espetrograma do gravador de voz. Um espetrograma utiliza um processo matemático para converter sinais sonoros, incluindo frequências altas e baixas, numa imagem.
O popular criador de conteúdo Scott Manley notou que seria possível reconstruir o som a partir dos megabytes de dados codificados nessa mesma imagem. Foi exatamente isso que aconteceu. Diferentes pessoas cruzaram o espetrograma com a transcrição do áudio, que estava disponível publicamente, para criar aproximações realistas do que se passou no cockpit. Para atingir este resultado, recorreram a modelos e ferramentas avançadas como o Codex.
O impacto nas investigações em curso
Após a descoberta, a agência suspendeu de imediato a plataforma para conter a partilha dos dados. O acesso público ao sistema de processos regressou na sexta-feira, mas o NTSB optou por manter 42 investigações totalmente fechadas enquanto decorre um período de revisão adicional. O processo relacionado com a queda do voo 2976 da UPS permanece entre os documentos bloqueados ao público.












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