
Uma equipa internacional liderada por Érika Le Bourdais, da Université de Montréal, descobriu que a antiga estrela anã branca LSPM J0207+3331 continua a atrair detritos planetários, mesmo após três mil milhões de anos a arrefecer. De acordo com os detalhes partilhados pela Université de Montréal, esta é a anã branca mais velha e fria alguma vez descoberta com um disco de poeira em seu redor.
Localizada a 145 anos-luz de distância, na constelação do Triângulo, a estrela foi inicialmente detetada em 2019 através de um projeto de ciência cidadã. A sua temperatura invulgarmente baixa indicou de imediato a sua idade avançada, uma vez que estas estrelas perdem calor de forma gradual. Com o apoio dos telescópios W. M. Keck, no Havai, os astrónomos confirmaram a presença de sinais infravermelhos consistentes com um disco de poeira formado por asteroides que foram destruídos pela forte gravidade.
Uma janela para a evolução do sistema planetário
Esta descoberta vem desafiar as teorias atuais sobre a evolução de um sistema planetário. O facto de uma estrela continuar a acumular materiais tanto tempo após a sua morte sugere que cometas, asteroides e até planetas podem manter-se em órbita durante períodos incrivelmente longos sem serem completamente destruídos.
A análise espectroscópica revelou a presença de treze elementos pesados na atmosfera da estrela, incluindo ferro, magnésio, titânio, cálcio e estrôncio. Num cenário normal, estes elementos afundam-se rapidamente neste tipo de estrelas ricas em hidrogénio, o que torna a sua deteção muito difícil. A ausência de carbono e a proporção de minerais indicam que a estrela está a absorver os restos de um grande corpo rochoso e diferenciado, com uma estrutura muito semelhante à da Terra ou do asteroide Vesta.
A impressão digital de mundos distantes
O estudo sublinha que as anãs brancas oferecem uma das únicas oportunidades para medir diretamente a composição de exoplanetas. Quando os detritos se aproximam demasiado, são desfeitos pela gravidade da estrela e acabam por poluir a sua atmosfera, deixando uma assinatura química detalhada da sua constituição original. A equipa detetou ainda uma rara emissão de cálcio ionizado, o que sugere a ocorrência de processos físicos incomuns na atmosfera superior do astro.
Ainda não é claro como é que estes materiais acabaram por cair na estrela numa fase tão tardia. O processo pode ter sido causado por planetas gigantes que desestabilizaram gradualmente corpos menores ao longo de milénios, ou pela passagem de outra estrela que alterou as órbitas da zona envolvente. Observações futuras com telescópios avançados ou a análise de dados de arquivo de missões europeias poderão ajudar a desvendar qual destes cenários originou este mistério cósmico.












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