
O universo está cheio de fenómenos difíceis de explicar, mas um mistério com vários anos acaba de ser resolvido. Uma equipa internacional de investigadores decifrou o enigma de um blazar distante, conhecido como PKS 1424+240, que emitia quantidades colossais de radiação gama e neutrinos, mas que parecia ter um jato de plasma surpreendentemente lento.
De acordo com os detalhes partilhados pelo European Research Council e publicados na revista Astronomy & Astrophysics Letters a 6 de junho, a explicação para este comportamento extremo reside num truque de perspetiva. Os cientistas ficaram tão surpreendidos com a estrutura revelada que apelidaram o fenómeno de "Olho de Sauron" no espaço profundo.
O fim da crise do fator Doppler
Para quem não está familiarizado, um blazar é um tipo de núcleo galáctico ativo, alimentado por um buraco negro supermassivo que projeta jatos de plasma quase à velocidade da luz. A peculiaridade do PKS 1424+240 é que o seu jato aponta quase diretamente para a Terra. Durante muito tempo, as observações de rádio sugeriam que o jato era demasiado lento para a imensa energia que emitia, uma contradição que os astrónomos chamavam de crise do fator Doppler.
Para chegar ao fundo da questão, os investigadores analisaram 15 anos de observações do Very Long Baseline Array. Através de uma tecnologia conhecida como interferometria de base muito longa, combinaram 42 imagens captadas entre 2009 e 2025 para obter um vislumbre incrivelmente detalhado da estrutura. Descobriram que o ângulo de visão em relação ao nosso planeta é inferior a 0,6 graus. Essencialmente, os astrónomos estão a olhar diretamente para o interior do jato.
Isto resolve o puzzle: graças ao efeito Doppler relativístico, este alinhamento aumenta a sua luminosidade aparente em cerca de 30 vezes. Em simultâneo, o ângulo de projeção cria uma ilusão de ótica que faz com que o plasma pareça mover-se de forma mais lenta do que na realidade.
Um campo magnético em forma de donut
Esta visão frontal também ofereceu um bónus aos cientistas. Através da análise de sinais de rádio polarizados, revelou-se uma componente de campo magnético toroidal, com a forma de um anel perfeito. Segundo Yuri Kovalev, o investigador principal do estudo ligado ao Instituto Max Planck, esta geometria é crucial, pois ajuda a lançar, moldar e estabilizar o fluxo de plasma.
Mais importante ainda, os investigadores acreditam que esta estrutura funciona como um verdadeiro acelerador de partículas cósmico, impulsionando tanto eletrões como protões para níveis de energia altos o suficiente para gerar a radiação observada. O avanço não só clarifica o comportamento bizarro do PKS 1424+240, como estabelece uma ponte sólida de conhecimento entre os jatos relativísticos, os campos magnéticos e a emissão de neutrinos cósmicos, reforçando os estudos da astronomia multimensageiro.












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