
Quando montas um computador focado em jogos, a harmonia entre os componentes é vital para evitar o temido "gargalo" (ou bottleneck). Este fenómeno ocorre quando uma peça limita o desempenho das outras — frequentemente no duo processador (CPU) e placa gráfica (GPU). Para comprovar isto, um utilizador do YouTube tentou um feito radical: emparelhar um já velhinho Intel Core i7-6700K com uma potente NVIDIA RTX 3080 e aplicar um overclock extremo para tentar libertar a gráfica das amarras do processador.
No mundo do hardware, o overclocking — o ato de forçar os componentes a funcionar numa frequência superior à de fábrica — já foi uma técnica que garantia saltos de desempenho impressionantes. No entanto, hoje em dia, as margens são curtas, já que a maioria das CPUs modernas vem otimizada quase até ao limite. Mas o que acontece quando tentamos puxar por uma CPU lançada em 2015 para acompanhar uma GPU topo de gama de 2020?
O desafio: Dar nova vida a um Intel Core i7-6700K
O criador de conteúdos do canal TrashBench decidiu testar os limites do seu setup antigo, que combinava um Intel Core i7-6700K com a NVIDIA RTX 3080. O objetivo era claro: reduzir o gargalo gerado pela CPU, que não conseguia acompanhar a velocidade a que a gráfica processava a informação.
Inicialmente, com um dissipador a ar, o overclock foi estabilizado nos 4,7 GHz com 1.4V. Porém, o youtuber queria ir mais longe. Trocando para um sistema de refrigeração líquida, conseguiu atingir os 5 GHz (a 1,56V). A verdadeira loucura chegou quando utilizou uma arca com água e gelo para arrefecer o sistema, atingindo a marca dos 5,2 GHz a impressionantes 1.7V. Uma tentativa de chegar aos 5,3 GHz revelou-se inútil, pois o computador recusou-se a ligar.
Overclock extremo melhora os FPS, mas o gargalo permanece
Com a frequência fixada em 5,2 GHz, o youtuber começou a realizar testes práticos em videojogos, comparando os resultados com as velocidades padrão do i7-6700K.
Cyberpunk 2077: Em velocidades base, o jogo corria a uma média de 91 FPS. Com o overclock a ar (4,7 GHz), subiu para 104 FPS. Já com a refrigeração extrema a 5 GHz, chegou aos 109 FPS, um aumento de cerca de 17%. Mais importante: o uso da RTX 3080 saltou de 60% para 74%.
Shadow of the Tomb Raider: Passou de 132 FPS base para 146 FPS com refrigeração líquida.
Hitman 3: Registou uma melhoria de cerca de 10%, saltando de 154 FPS para 169 FPS.
Far Cry 6: A subida foi de 84 FPS para 96 FPS (cerca de 15% de melhoria).
Fora dos jogos, o benchmark Time Spy acompanhou a tendência: de 4699 pontos base, subiu para 5605 pontos com arrefecimento a ar e atingiu os 5848 pontos com refrigeração líquida.
Conclusão: Embora o overclock extremo proporcione ganhos respeitáveis na ordem dos 10% a 15%, a verdade é que os 4 núcleos do i7-6700K já não são suficientes para lidar com jogos modernos e hardware de última geração como a RTX 3080. A tentativa, embora curiosa, demonstra que perante uma placa gráfica moderna, até o overclock mais audaz de uma CPU antiga acaba por esbarrar nas limitações físicas da sua arquitetura.
Segundo avançou a Tom's Hardware, esta experiência sublinha a importância de planear um setup equilibrado, em vez de investir tudo apenas num componente.












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