
A especialista em cibersegurança Check Point disponibilizou atualizações de segurança para corrigir uma vulnerabilidade crítica que afeta as suas soluções de Remote Access VPN e Mobile Access. A falha está a ser ativamente explorada em ataques informáticos do tipo zero-day, permitindo que atacantes contornem os mecanismos de autenticação sem necessidade de credenciais válidas.
O problema, identificado sob a designação CVE-2026-50751, permite o estabelecimento de ligações não autorizadas a firewalls Spark ou ambientes de Mobile Access, SSL VPN e Remote Access VPN. Conforme os alertas avançados pela Check Point, esta brecha afeta apenas as configurações que ainda utilizam o protocolo de troca de chaves IKEv1, deparado pelo mercado, em conjunto com gateways configurados para aceitar clientes antigos e que prescindam de certificados de máquina para validar o acesso.
Ataques com ligações ao ransomware Qilin
Os primeiros indícios de exploração em ambiente real surgiram a 7 de maio, registando-se um aumento substancial do volume de ataques no início do mês de junho. Até ao momento, a empresa confirmou que o impacto foi contido, afetando apenas algumas dezenas de organizações à escala global. No entanto, pelo menos um dos incidentes investigados foi diretamente associado a um grupo afiliado à operação de ransomware Qilin, conhecido pelo impacto severo das suas ações de extorsão.
A administração da Check Point emitiu um aviso claro aos clientes, recomendando a aplicação imediata das correções disponibilizadas para mitigar o risco de intrusão. O grupo criminoso Qilin, que iniciou atividade em agosto de 2022 sob o nome Agenda, opera sob o modelo de Ransomware-as-a-Service (RaaS) e já contabiliza cerca de 400 vítimas no seu site da dark web, incluindo grandes marcas como a Nissan, a gigante automóvel Yangfeng, a cervejeira Asahi ou o fornecedor de serviços Synnovis.
Recomendações e descoberta de segunda vulnerabilidade
Para os administradores de sistemas que não consigam aplicar os patches de forma imediata, foram partilhadas medidas de mitigação temporárias. Estas incluem a remoção completa do suporte a clientes de acesso remoto antigos, a alteração das propriedades globais para exigir exclusivamente o protocolo IKEv2, a obrigatoriedade de autenticação por Certificado de Máquina e a ativação das assinaturas de IPS correspondentes.
Durante o processo de análise desta falha, os investigadores da empresa detetaram ainda uma segunda vulnerabilidade, registada como CVE-2026-50752. Esta falha afeta a validação de certificados no mesmo protocolo IKEv1 e pode ser aproveitada para realizar ataques do tipo man-in-the-middle em ligações VPN site-to-site. Apesar de ainda não existirem provas de que esta segunda brecha esteja a ser utilizada em ataques reais, a recomendação passa igualmente pela atualização preventiva de todos os sistemas.












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