
John Mueller, da Google, confirmou que a utilização de nomes de domínio com hífenes não tem qualquer impacto negativo na estratégia de SEO. Esta clarificação, detalhada inicialmente através de uma publicação no Search Engine Journal, deita por terra o antigo mito da comunidade técnica que associava frequentemente o uso de traços a portais de qualidade duvidosa ou táticas de spam.
O representante da empresa respondeu a um utilizador na rede social Bluesky, garantindo que os traços são perfeitamente aceitáveis para o posicionamento online. Curiosamente, quando questionado sobre o limite técnico para o número de hífenes permitidos num endereço, Mueller revelou que o valor máximo aparente se fixa nos 61 traços.
O passado dos domínios com traços
Nos primórdios da otimização para os motores de busca, há mais de 25 anos, os algoritmos baseavam-se de forma muito primitiva na correspondência de palavras-chave. Na altura, inserir a frase exata no endereço web era uma tática comum e altamente eficaz para garantir os primeiros lugares nos resultados, o que originou uma verdadeira corrida aos domínios separados por traços.
Esta tendência atingiu o seu pico de popularidade por volta de 2006, de forma notória em setores altamente competitivos, como o dos advogados de acidentes pessoais. Especialistas chegavam a alugar pacotes destes domínios otimizados por milhares de euros mensais. Uma análise aos arquivos do diretório DMOZ mostra que, nessa época, cerca de 16% das listagens para empresas de ferimentos corporais na Califórnia usavam este tipo de endereço. Este dado atesta a força que o formato detinha, sobretudo numa altura em que os catálogos eram rigorosamente revistos de forma manual por editores humanos.
Vantagens e desvantagens reais
A perceção de que estes domínios se tornaram prejudiciais com o tempo deve-se mais à natural queda da qualidade dos sites que os utilizavam do que a uma verdadeira penalização silenciosa. A realidade é que muitas marcas de renome mundial, como a Mercedes-Benz e a Coca-Cola, usam endereços com hífenes e mantêm posições de topo sem qualquer entrave. Até mesmo entidades governamentais dos Estados Unidos e consórcios internacionais, como o W3C, utilizam esta formatação nos seus portais para facilitar a separação das palavras.
Apesar de estarem livres de restrições técnicas ao nível do algoritmo, existem razões válidas para a relutância dos profissionais em adotar esta escolha num novo projeto. O principal obstáculo é a maior dificuldade de digitação por parte dos utilizadores, particularmente em ecrãs de telemóveis. Adicionalmente, a presença de múltiplos traços ainda pode transmitir uma imagem menos corporativa ou gerar desconfiança. O segredo está em usar o hífen apenas quando este torna o nome do serviço mais legível para as pessoas, trabalhando depois ativamente o conteúdo para consolidar a credibilidade da marca.












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