
As marcas estão a deixar de competir apenas pela atenção dos consumidores para passarem a lutar pela recomendação dos motores inteligentes. Esta foi a conclusão central do evento “What’s Next in the Agentic Era: Disrupção no Marketing, Media e Medição”, que ocorreu em Lisboa no dia 2 de junho, promovido pela Incubeta em parceria com a Google.
Michael Ossendrijver, Group Chief Solutions Officer da Incubeta Global, destacou a transformação radical que atravessa o ecossistema digital. O público deixou de querer navegar entre inúmeras ligações para procurar respostas diretas. Este novo paradigma dita que a notoriedade das empresas passa a depender da forma como são recomendadas pelos grandes modelos de linguagem, levando a que a quota de atenção na mente do consumidor se transforme numa quota de modelo.
O impacto é evidente nos números partilhados durante a sessão. O tráfego direcionado por agentes autónomos para plataformas de compras subiu 393% face ao ano anterior, garantindo taxas de conversão 42% superiores. Adicionalmente, cerca de 80% das pesquisas já exibem respostas geradas por inteligência artificial. Apesar desta rápida evolução, 81% dos profissionais de marketing admitem não ter uma estratégia clara para analisar e operar estas novas métricas.
A falta de estratégia estruturada nas empresas
Patrícia Nabeto, Country Manager da Incubeta em Portugal, alertou para o facto de as empresas não possuírem ainda um plano sólido para a adoção desta tecnologia. Um estudo da consultora revela que, embora 70,4% dos líderes de marketing confiem na eficácia dos seus orçamentos, 41,6% reconhecem que uma parte substancial do investimento falha na entrega de valor.
Esta contradição acentua-se quando 92% dos líderes consideram as suas ferramentas de medição precisas e 79% sentem que o retorno cumpre as expetativas. No entanto, 73,6% das organizações aumentam anualmente os seus gastos, perdendo capital financeiro através de ineficiências operacionais invisíveis. Este cenário, apelidado pela responsável como Imposto da Ineficiência, é um risco sistémico alimentado pela desconexão dos dados e pela ausência de governação corporativa interna.
O novo paradigma do comércio digital
A Era Agêntica introduz também o novo comércio agêntico, onde a descoberta e a sugestão de produtos passam a ser mediadas unicamente pelos sistemas. A visibilidade suportada apenas pela otimização tradicional em palavras-chave perde relevância para uma abordagem assente em descrições com enorme riqueza semântica, capazes de comunicar atributos e benefícios de forma inequívoca aos algoritmos.
Embora 77% dos gestores encarem a automação avançada como um forte motor de desempenho, apenas 55% se sentem estruturalmente preparados para a ativar. A juntar nomes como Farfetch, Growth-Ignition, INCM, Media Capital, Sonae MC, Vodafone e Worten, o evento reforçou a urgência das marcas abandonarem a inação e começarem a reconstruir a sua relevância num mercado que deixa os cliques para trás em prol das recomendações exatas.












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