
O governo de França confirmou que a sua plataforma de mensagens encriptadas, a Tchap, sofreu uma importante vulnerabilidade de segurança que comprometeu as contas de mais de 73 mil funcionários públicos. A Direção Interministerial Digital francesa, DINUM, revelou que um atacante conseguiu infiltrar-se no ecossistema através de uma conta legítima que tinha sido previamente comprometida, o que obrigou à notificação imediata da Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL) devido ao risco associado à exposição de dados pessoais.
A informação detalhada sobre o incidente começou a ser partilhada publicamente através de publicações que circularam na internet, com destaque para os dados avançados pela ThreatMon. Embora as autoridades tenham inicialmente partilhado poucos detalhes práticos sobre a dimensão do ataque, atualizações posteriores da DINUM esclareceram que a atividade maliciosa poderá ter afetado cerca de 9% de todos os utilizadores que se encontram registados no serviço.
Mensagens privadas continuam seguras mas salas públicas foram copiadas
A equipa técnica responsável pela plataforma explicou que, por desenho, as conversas privadas mantêm-se totalmente encriptadas e protegidas contra acessos externos. Contudo, o cenário foi diferente no que diz respeito aos fóruns e salas de chat públicas da aplicação. Como estas áreas comunitárias não possuem encriptação e são abertas a qualquer membro, o invasor conseguiu recolher e extrair as mensagens que aí circulavam de forma livre.
No total, dos mais de 825 mil agentes do Estado registados na plataforma, as investigações apontam para um número exato de 73 467 funcionários afetados pelo problema. Através deste método de recolha de dados, foram roubados os nomes próprios, apelidos, endereços de correio eletrónico, imagens de avatar e a identificação do respetivo organismo do setor público onde cada utilizador exerce funções.
Ataque recorreu a engenharia social e expôs ficheiros internos
A conta de utilizador que esteve na origem das requisições maliciosas foi prontamente identificada e bloqueada pelas autoridades gaulesas, com o intuito de remover o acesso persistente do atacante e permitir uma análise forense aprofundada. Apesar de a DINUM ainda não ter feito uma atribuição oficial da autoria do ataque, um pirata informático assumiu a responsabilidade pela ação durante o fim de semana, alegando ter obtido a entrada inicial no sistema através de uma campanha de engenharia social.
O atacante afirma ter copiado perto de 650 mil mensagens e metadados associados aos dispositivos e contas. Adicionalmente, terão sido desviados mais de 13,5 GB de ficheiros multimédia e documentos confidenciais partilhados pelos funcionários do governo, bem como credenciais de acesso LDAP que se encontravam expostas num script em PowerShell.
A plataforma Tchap foi desenvolvida originalmente em 2018 pela DINUM, em colaboração estreita com a ANSSI, a agência de cibersegurança francesa. O projeto descentralizado assenta no protocolo Matrix e tornou-se a aplicação oficial e obrigatória para as comunicações de trabalho de todos os funcionários públicos no início de agosto de 2025. O serviço conta atualmente com mais de 300 mil utilizadores ativos mensais e superou as 500 mil transferências na loja de aplicações Google Play Store.












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