
A DeepSeek conseguiu evitar, pelo menos por agora, a sua inclusão na "lista negra" comercial dos EUA. De acordo com informações avançadas pela Reuters, a administração liderada por Donald Trump decidiu adiar a aplicação de restrições severas contra a tecnológica chinesa. Esta medida permite que a criadora de modelos de inteligência artificial continue a operar no mercado norte-americano no imediato.
A inclusão na chamada Entity List, gerida pelo Departamento de Comércio dos EUA, acarreta consequências graves, funcionando habitualmente como um bloqueio quase total à atividade comercial no país por motivos de segurança nacional. No passado, em 2019, o governo de Washington aplicou esta mesma sanção à Huawei, travando as operações da gigante das telecomunicações em solo americano.
Tensões geopolíticas travam bloqueio imediato
A listagem de sanções estava prestes a aumentar significativamente, estando a DeepSeek integrada num lote de mais de 100 empresas cuja adição foi aprovada no ano passado. Contudo, fontes diplomáticas confirmaram que as autoridades norte-americanas optaram por suspender a decisão de forma a não deteriorar a relação bilateral com a China. Face a este impasse, permanece incerto se a proibição será aplicada em momentos futuros.
Paralelamente, a tecnológica sediada na China concluiu a sua primeira ronda de investimento esta semana, angariando mais de 50 mil milhões de yuans (o equivalente a cerca de 6,9 mil milhões de euros), o que eleva a sua avaliação de mercado para além dos 46 mil milhões de euros. Em termos de comparação, as rivais norte-americanas Anthropic e OpenAI registam avaliações substancialmente superiores, fixadas em cerca de 897 mil milhões de euros e 792 mil milhões de euros, respetivamente. A grande diferença estratégica reside no facto de a DeepSeek disponibilizar o seu modelo de fronteira em código aberto, sob a licença MIT, permitindo a qualquer utilizador o descarregamento e modificação gratuita.
Restrições tecnológicas e segurança nos EUA
Apesar da flexibilização a nível federal, o cerco à empresa tem avançado em moldes regionais. Nova Iorque baniu a utilização da aplicação em equipamentos governamentais em fevereiro, seguindo a decisão tomada pelo estado do Texas no mês anterior.
O panorama insere-se numa tendência mais ampla de desconfiança face a soluções tecnológicas estrangeiras. No início do ano, a FCC proibiu a entrada de novos routers de fabrico internacional no mercado norte-americano, afetando um espetro alargado de dispositivos de rede. Adicionalmente, as barreiras à exportação de semicondutores avançados da NVIDIA para o mercado chinês ditaram uma quebra drástica da quota de mercado da fabricante de chips, que passou de 95% para valores nulos, enfrentando também contra-restrições aplicadas pelo governo de Pequim.












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