
A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Braga e com a colaboração da Diretoria do Sul, desmantelou uma rede de fraude financeira focada em criptomoedas e apostas. A operação culminou na detenção de dois homens de 23 anos na cidade de Faro, que se encontram fortemente indiciados pela prática de crimes de burla qualificada e branqueamento. De acordo com a informação oficial avançada pela Polícia Judiciária, a força de segurança já conseguiu identificar seis vítimas e apurar um prejuízo financeiro superior a 34 mil euros, não descartando a existência de mais pessoas lesadas por esta rede.
Esquemas digitais prometiam lucros garantidos
As averiguações revelaram que a dupla de suspeitos atuou de forma concertada ao longo dos últimos anos, entre 2022 e 2025. Para atrair os alvos, os indivíduos recorriam a várias plataformas de comunicação eletrónica e redes sociais, onde criavam anúncios e campanhas para promover serviços fictícios de gestão de apostas desportivas e investimentos financeiros online. O engodo consistia em apresentar propostas extremamente aliciantes, prometendo elevados retornos financeiros e lucros completamente garantidos a curto prazo.
Convencidos da autenticidade e segurança das ofertas, os utilizadores avançavam com transferências de valores avultados para diversas contas bancárias controladas de forma direta pelos suspeitos. Uma vez recebido o dinheiro, a rede iniciava a fase de ocultação. Os fundos eram rapidamente dissipados através de sucessivos levantamentos em numerário nos caixas automáticos e múltiplas transferências cruzadas entre contas, uma tática clássica de branqueamento de capitais desenhada especificamente para dificultar o rastreamento das autoridades financeiras e policiais.
Operação Faroeste apreende milhares de euros e armas de fogo
No decurso das diligências, que receberam o nome de código "Operação Faroeste", os inspetores encarregues do processo efetuaram duas buscas domiciliárias nas residências associadas aos suspeitos. Durante estas intervenções no terreno, foi possível recuperar mais de 19 mil euros em numerário físico. Foram ainda apreendidos dezenas de elementos probatórios críticos para o avanço da investigação, incluindo diversos equipamentos informáticos, telemóveis e vasta documentação bancária que será agora alvo de análises forenses pormenorizadas.
A ação policial não se limitou apenas ao crime económico. Durante as buscas a um dos locais, a equipa da Polícia Judiciária deparou-se com duas armas de fogo reais e dezenas de munições pertencentes a diferentes calibres. Uma vez que o responsável pelas mesmas não dispunha de qualquer licença de uso e porte de arma válida perante a lei portuguesa, este foi igualmente indiciado e vai responder pela prática do crime de detenção de arma proibida. Os dois jovens foram posteriormente encaminhados para serem presentes a primeiro interrogatório judicial, onde conhecerão as medidas de coação consideradas adequadas ao seu caso, enquanto o processo de investigação continua aberto.












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