
O Parlamento Europeu decidiu alterar o motor de busca padrão nos navegadores dos seus sistemas para o Qwant, uma solução focada na privacidade desenvolvida em solo europeu. A medida reflete o esforço crescente da região em assegurar a soberania tecnológica e diminuir a dependência face às grandes empresas norte-americanas, que atualmente dominam cerca de 90% do mercado local. Para os utilizadores que pretendem alternativas viáveis ao ecossistema tradicional do Google, existem já serviços consolidados como a Ecosia, o Mojeek e o GOOD, cada um com abordagens distintas no tratamento de dados e na indexação de conteúdos.
Parlamento Europeu reforça soberania digital com foco na privacidade
A transição para o Qwant abrange os navegadores Microsoft Edge e Mozilla Firefox utilizados na instituição europeia. Esta alteração surge integrada no Pacote de Soberania Tecnológica da União Europeia, desenhado para mitigar a dependência de tecnologias controladas pelos Estados Unidos e pela China. O descontentamento dos cidadãos europeus com os modelos de negócio assentes na vigilância digital tem aumentado, sendo que dados de uma sondagem da Politico indicam que 84% dos inquiridos não confia a gestão dos seus dados pessoais às tecnológicas norte-americanas.
O Qwant, lançado originalmente em 2011, funciona sem recorrer a cookies de terceiros — pequenos ficheiros que registam a atividade do utilizador na internet — nem a rastreadores ou segmentação comportamental. O seu modelo de financiamento assenta em publicidade contextual exibida junto à barra de pesquisa. Em termos técnicos, a plataforma utiliza uma biblioteca própria com mais de 20 mil milhões de páginas indexadas, embora recorra temporariamente ao Bing para complementar os resultados apresentados. Com o intuito de alcançar total autonomia técnica, o Qwant uniu esforços com a alemã Ecosia para criar a iniciativa European Search Perspective, focada no desenvolvimento de um índice de pesquisa europeu totalmente independente.
Conheça o funcionamento das principais alternativas de pesquisa na Europa
O mercado europeu conta com projetos distintos que procuram quebrar o controlo exercido pelas grandes plataformas e pelos fornecedores de navegadores. Entre as opções disponíveis, o Mojeek destaca-se por possuir um índice de páginas web inteiramente próprio, o que significa que não depende de qualquer outra ferramenta para gerar os seus resultados de pesquisa. Sediado no Reino Unido e operando a partir de centros de dados ecológicos, o serviço adota uma política estrita que proíbe o registo de endereços IP, substituindo-os por códigos de dois caracteres que identificam apenas o país de origem do visitante.
Por outro lado, o motor de busca alemão GOOD adota um modelo de negócio diferenciado, sendo financiado através de subscrições que começam nos 2€ por mês ou 19€ por ano, cujos valores revertem parcialmente para projetos de proteção climática e mudança social. Esta plataforma utiliza o índice independente da tecnológica norte-americana Brave Software, combinando-o com anúncios e resultados de parceiros para oferecer uma experiência livre de rastreio de dados pessoais. Apesar de algumas destas alternativas ainda dependerem de infraestruturas externas para complementar os seus índices, a diversificação do mercado é considerada um passo fundamental para desbloquear a concorrência e garantir a independência digital do continente.












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