
Tirar um café expresso logo pela manhã é um ritual sagrado para muitos, e a água quente sempre pareceu ser um elemento indispensável neste processo para extrair o máximo de rendimento do grão. No entanto, cientistas e engenheiros da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), em Sydney, conseguiram criar a bebida sem qualquer recurso a temperaturas elevadas. Conforme avançado pelo TechSpot, a nova abordagem recorre a ondas ultrassónicas para substituir o aquecimento, resultando num expresso tirado a frio que garante o mesmo perfil de sabor.
O poder da cavitação acústica na extração
A equipa de investigadores desenvolveu um método que utiliza ondas de som de alta frequência em vez de resistências térmicas. Através de um transdutor metálico acoplado a um filtro tradicional, o sistema emite ultrassons impercetíveis para o ouvido humano diretamente através da água e do pó moído, mesmo estando à temperatura ambiente. Este fenómeno cria a chamada cavitação acústica, onde bolhas microscópicas colapsam e geram rajadas de força físicas capazes de extrair a cafeína, os óleos e os compostos responsáveis pelo sabor de forma muito eficiente. O processo completo leva cerca de três minutos para finalizar a extração.
Sabor aprovado em testes cegos
A grande questão recaía sobre a qualidade final da bebida, visto que a ausência de calor altera por completo a química tradicional da preparação. Para tirar as teimas, foi realizada uma prova cega com cem consumidores habituais. O resultado surpreendeu os participantes, visto que a esmagadora maioria não conseguiu distinguir as diferenças entre o método convencional e o sistema alternativo. Na categoria de bebida de filtro, a versão ultrassónica acabou mesmo por vencer a prova ao apresentar um amargor considerado mais equilibrado. Além do aspeto gustativo, este sistema permite uma poupança considerável de energia, reduzindo os consumos em até 75%, e abre a porta à preparação direta de café no interior de produtos lácteos ou noutros líquidos frescos.












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