
Uma nova falha crítica descoberta na biblioteca de código aberto FFmpeg pode permitir a execução remota de código em servidores Jellyfin e causar a negação de serviço em plataformas populares como Kodi, Emby e OBS Studio. Identificada como CVE-2026-8461 e batizada de PixelSmash, a vulnerabilidade reside no descodificador MagicYUV e recebeu uma pontuação de gravidade de 8,8, conforme os dados publicados pelo NVD.
Origem do problema e aplicações afetadas
Os investigadores da empresa de segurança JFrog explicaram que o PixelSmash resulta da forma como o descodificador MagicYUV processa os blocos independentes de fotogramas de vídeo, conhecidos como fatias. Ocorre um transbordo de memória no heap devido a uma inconsistência no cálculo das dimensões do plano de croma entre o alocador de fotogramas e o próprio descodificador.
Este problema manifesta-se quando um utilizador abre ficheiros de vídeo nos formatos AVI, MKV ou MOV, ou simplesmente quando navega numa pasta que ative a geração automática de miniaturas. Ferramentas integradas nos ambientes GNOME, KDE e XFCE, além de aplicações como o PhotoPrism, são diretamente afetadas. Serviços de mensagens como o Slack, Discord, Telegram e WhatsApp também recorrem ao FFmpeg para criar pré-visualizações nos seus servidores, pelo que podem estar suscetíveis ao problema, embora não tenham sido integrados nos testes.
Cenários de ataque e correções disponíveis
A execução remota de código foi demonstrada com sucesso num servidor Jellyfin 10.11.9 através do processo normal de verificação da biblioteca de ficheiros. Quando o sistema deteta um vídeo modificado por um atacante (por exemplo, descarregado via torrent), ativa automaticamente o utilitário ffprobe para extrair metadados, o que espoleta o transbordo de memória e executa comandos arbitrários com os privilégios do utilizador do serviço. Contudo, este cenário exige que a proteção de memória ASLR esteja desativada ou que seja combinada com outra falha no descodificador FlashSV para contornar a segurança.
Para mitigar os riscos deste problema de cadeia de abastecimento de software, os utilizadores devem garantir a atualização do FFmpeg para a versão 8.1.2, disponibilizada a 17 de junho. O Jellyfin já atualizou a sua versão interna e o PhotoPrism está a desenvolver uma lista de bloqueio de formatos. Por outro lado, a equipa do Nextcloud optou por não lançar uma correção por considerar que o erro existe fora do seu produto, enquanto o Plex não corre riscos graças à utilização de uma compilação personalizada que desativa estes descodificadores de raiz.












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