
As sanções impostas pelos Estados Unidos à exportação de tecnologia para a China estão a ter um efeito colateral drástico. De acordo com uma reportagem do Financial Times, os aceleradores de inteligência artificial da NVIDIA que foram banidos do mercado asiático estão agora a ser vendidos de forma ilegal por mais do dobro do preço original.
O custo do contrabando tecnológico
O principal alvo desta inflação é a plataforma DGX B300, um dos equipamentos de topo da empresa. Este sistema, que integra oito aceleradores, processadores Intel Xeon e até 2 TB de memória de vídeo, tem um custo oficial a rondar os 370 mil euros no mercado norte-americano. No entanto, através das redes de contrabando chinesas, o valor do equipamento dispara para mais de um milhão de euros.
Este aumento reflete-se também nas placas gráficas direcionadas ao setor profissional. A versão de 96 GB da RTX 6000 Pro, baseada na arquitetura Blackwell, passou de cerca de 12 mil euros nos Estados Unidos para perto de 18,5 mil euros no mercado paralelo asiático. Para as empresas europeias e portuguesas que competem globalmente no setor da inovação tecnológica, este cenário sublinha os custos e os riscos crescentes na aquisição de hardware num ambiente de forte tensão geopolítica.
Redes de fachada e independência asiática
O bloqueio imposto por Washington abrange modelos de última geração como o GB200 e a RTX 5090. Para contornar estas restrições, várias entidades na China utilizam um esquema complexo, encomendando o hardware através de empresas de fachada localizadas em países como Singapura ou a Malásia, que posteriormente desviam o equipamento para o seu destino final.
Curiosamente, o governo norte-americano chegou a relaxar as limitações para aceleradores de gerações anteriores, como o modelo H200. Contudo, David Sacks, o antigo responsável pela área de inteligência artificial da Casa Branca, confirmou que existe um desinteresse claro por parte da China por estes chips mais antigos. A procura por independência tecnológica faz com que o mercado chinês prefira arriscar no circuito ilegal ou adaptar componentes de videojogos em vez de investir em soluções tecnológicas que já são consideradas ultrapassadas face à concorrência.












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