
A segunda atualização de spam da Google deste ano já está em curso e traz um alvo bem definido: táticas desenhadas para manipular as respostas geradas por inteligência artificial nas pesquisas. De acordo com os dados partilhados pelo Search Engine Journal, a gigante tecnológica passou a classificar como infração direta qualquer tentativa de forçar a presença de marcas ou entidades nos resumos criados pelos seus modelos de linguagem.
Para os criadores de conteúdo e empresas em Portugal, esta mudança exige cautela redobrada na estratégia digital. A linha que separa a otimização legítima da manipulação de agentes de pesquisa é cada vez mais ténue, e uma penalização pode resultar numa perda drástica de visibilidade, num momento em que a Google direciona cerca de um quinto das citações para os seus próprios domínios.
O calcanhar de Aquiles dos agentes de pesquisa
Um estudo da Cornell Tech demonstra por que razão aplicar esta nova política é um desafio monumental. As ferramentas de pesquisa profunda dependem substancialmente de conteúdo gerado pelos utilizadores, como fóruns e páginas de comunidade, para formular as suas respostas. Os investigadores descobriram que basta a inserção de aproximadamente 13 palavras numa página recorrente para que uma entidade consiga infiltrar-se no relatório final do modelo em 38% a 51% das vezes. Se o texto manipulado for espalhado por várias páginas, a taxa de sucesso sobe para valores entre 42% e 62%.
Os testes documentados foram realizados em simuladores isolados com agentes de código aberto como o STORM, Co-STORM e OmniThink. Embora ferramentas comerciais mais complexas como o ChatGPT Deep Research e o Gemini Deep Research não tenham sido alvo de ataques diretos por questões éticas da investigação, a análise revelou que o modelo da Google recorre a conteúdo criado por utilizadores em 12,1% das ocasiões, expondo a estrutura à mesma vulnerabilidade teórica.
Impacto invisível para o comércio local
O grande obstáculo da Google reside na deteção da infração. O texto plantado é desenhado para parecer um conselho genuíno deixado por um consumidor comum, misturando-se com as fontes legítimas que a ferramenta precisa de ler para fornecer contexto útil. Os investigadores concluíram que cortar completamente o acesso a plataformas de comunidade degradaria severamente a qualidade dos resultados apresentados ao público.
Na prática, isto levanta preocupações para negócios de retalho e serviços em mercados locais. Consultas diárias sobre qual o melhor restaurante numa cidade portuguesa ou que serviço técnico contratar podem ser facilmente desviadas. Um concorrente ou burlão pode plantar o seu nome no meio das recomendações de forma invisível para a marca prejudicada. Atualmente, as empresas não dispõem de qualquer painel de controlo que lhes indique se foram excluídas ou incluídas numa resposta gerada autonomamente, transformando a presença neste novo formato de pesquisa num cenário difícil de auditar.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!