
A sede insaciável do mercado tecnológico por processadores dedicados à inteligência artificial está a sufocar as linhas de produção globais, e a fabricante do iPhone quer evitar ficar para trás. Para garantir que não sofre quebras de stock nos próximos anos, a gigante de Cupertino planeia adotar a tecnologia de fabrico de 1,4 nm da TSMC já em 2028, com o futuro processador A22 Pro. A informação foi avançada pelo DigiTimes, indicando que a atual saturação nas linhas de 3 nm serve de alerta para as futuras gerações.
Atualmente, o volume de pedidos ligados à inteligência artificial obrigou a TSMC a aumentar a sua capacidade em cerca de 175 mil wafers por mês, mas os constrangimentos persistem. Quando a indústria transitar em peso para os 2 nm, o cenário deverá repetir-se, motivando esta fuga antecipada para uma litografia ainda mais avançada e desocupada.
A corrida pelo espaço nas linhas de produção
O calendário de lançamentos desenhado para os próximos anos mostra uma evolução meticulosa por parte da fabricante. Durante o atual ano de 2026, a produção foca-se no nó N2 (2 nm), passando para a versão N2P em 2027. O verdadeiro salto tecnológico ocorrerá no ano seguinte. Assumir o papel de cliente pioneiro nesta nova arquitetura de 1,4 nm traz custos avultados, com cada placa de silício a custar cerca de 45 mil dólares, um valor a rondar os 42 mil euros ao câmbio atual.
Esta aposta financeira expressiva tem uma justificação logística rigorosa. Com mais de 240 milhões de telemóveis expedidos ao longo de 2025, garantir o fornecimento contínuo de componentes é vital. Para o consumidor final em Portugal, esta estratégia agressiva significa que os futuros modelos de topo terão a sua disponibilidade assegurada nas prateleiras, mesmo quando as grandes tecnológicas esgotarem a capacidade de produção mundial para alimentar os seus servidores de linguagem.
Estratégia focada na disponibilidade e eficiência
Curiosamente, a motivação para esta mudança não se prende com a urgência de superar rivais diretos como a Qualcomm ou a MediaTek em testes de velocidade. A Apple já possui uma posição de enorme conforto no design da sua própria arquitetura. Os atuais processadores A19 e A19 Pro apresentam dimensões até 10% inferiores às da geração anterior, entregando mais desempenho e maior eficiência. Esta redução no tamanho físico permite extrair mais unidades funcionais de cada wafer, atenuando os elevados custos de fabrico iniciais.
O futuro A20 Pro manterá dimensões semelhantes ao seu antecessor, revelando uma abordagem contida face à concorrência, que frequentemente opta por aumentar o tamanho físico dos componentes na procura por mais potência. Ao monopolizar uma fatia substancial da capacidade inicial de 1,4 nm, a empresa norte-americana assegura a estabilidade da sua linha de montagem e deixa as sobras de produção para as restantes fabricantes, blindando as suas receitas contra eventuais roturas no fornecimento de componentes vitais.












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