
A Tencent acaba de garantir um fornecimento em grande escala de memórias DRAM para os seus servidores, fechando um negócio avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de euros com a fabricante chinesa CXMT. Segundo os dados avançados pela Reuters, este contrato a longo prazo visa proteger a gigante tecnológica da escassez de componentes, cobrindo o fornecimento por um período que deverá estender-se entre três a cinco anos.
O momento para esta operação não é acidental. As memórias DRAM são o coração de qualquer infraestrutura moderna, sendo vitais para centros de dados, serviços na nuvem e cargas de trabalho avançadas. Com a atual corrida aos aceleradores e o medo de novos estrangulamentos na cadeia de distribuição, garantir o acesso a este hardware tornou-se uma prioridade para evitar custos insustentáveis. Para os utilizadores e empresas europeias que dependem da infraestrutura da Tencent, seja em videojogos ou serviços empresariais, esta é uma salvaguarda essencial contra quebras de desempenho. O cenário de mercado é tão competitivo que até a Apple se encontra em negociações diretas com Donald Trump para obter permissão para comprar componentes à própria CXMT.
A estratégia para dominar a infraestrutura tecnológica
Com este negócio multimilionário, a Tencent reduz drasticamente a sua dependência de fabricantes externos tradicionais, como a Samsung ou a SK Hynix. A escolha de um fornecedor nacional alinha-se perfeitamente com os objetivos estratégicos da China em criar uma rede tecnológica autossuficiente e isolada de flutuações geopolíticas.
Para a CXMT, fundada em 2016 e fortemente apoiada pelo estado chinês, este acordo representa o derradeiro voto de confiança. A empresa prepara-se para uma entrada em bolsa onde espera captar mais de quatro mil milhões de euros, o que a poderá tornar numa das maiores ofertas públicas iniciais recentes no país. A fabricante não se fica por aqui e já negoceia contratos semelhantes com nomes de peso como a Lenovo, Xiaomi, ByteDance e Alibaba Cloud, mostrando que as gigantes locais preferem antecipar as suas reservas de hardware em casa.
Preços disparam e impulsionam o fabrico local
Os dados do banco UBS revelam que os preços contratuais da memória DRAM sofreram um aumento impressionante de 95% no primeiro trimestre de 2026, com o ciclo de subida a ter uma previsão de continuidade pelo menos até ao final de 2027. A CXMT soube aproveitar a onda, tendo fechado o ano de 2025 como a quarta maior fabricante mundial do setor, com uma quota de 7,7%. Apenas no arranque de 2026, as suas receitas superaram os 50,8 mil milhões de yuanes, um salto estrondoso superior a 700% face ao ano transato.
Toda esta procura impulsionada pela IA e pelo processamento massivo de informação está a financiar uma expansão industrial agressiva. A fabricante chinesa gere atualmente duas fábricas em Hefei e uma em Pequim, capazes de produzir 300 mil wafers por mês. Uma nova infraestrutura em Xangai já está em construção para duplicar essa capacidade mensal. Embora ainda persiga o nível tecnológico absoluto das suas rivais sul-coreanas, a injeção maciça de capital proveniente desta crise global está a permitir à CXMT reinvestir de forma agressiva, encurtando a distância e redefinindo a produção de componentes à escala global.












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