
Um antigo colaborador da DigitalMint, uma empresa especializada na resposta a incidentes de cibersegurança, foi condenado pela justiça norte-americana a uma pena de 70 meses de prisão. Angelo Martino, de 41 anos, recebeu a sentença após o seu envolvimento direto em ataques informáticos contra empresas nos EUA, utilizando o conhecido ransomware BlackCat, também apelidado de ALPHV.
Conforme revelam os documentos judiciais associados ao caso, disponíveis na plataforma DocumentCloud, Martino colaborou ativamente com o grupo cibercriminoso entre abril de 2023 e abril de 2025. O FBI já tinha associado esta organização a mais de 60 intrusões graves em sistemas logo no início da sua atividade, estimando-se que o grupo tenha extorquido pelo menos 300 milhões de dólares a mais de mil vítimas globalmente.
Informação confidencial usada para maximizar a extorsão
O caso ganha contornos de particular gravidade devido às funções que o arguido desempenhava na sua atividade legítima. Martino atuava como negociador em nome das organizações afetadas por sequestros digitais. Em vez de proteger os interesses dos clientes, o ex-funcionário aproveitou o acesso a dados confidenciais de cinco entidades para partilhar com os atacantes os limites das apólices de seguro e as respetivas posições de negociação. Esta infiltração permitia que os operadores do BlackCat exigissem os valores máximos possíveis de resgate.
Os crimes foram perpetrados em cumplicidade com Kevin Tyler Martin, de 28 anos, e Ryan Clifford Goldberg, de 33 anos, que também passaram por empresas do setor como a Sygnia e a DigitalMint. A parceria com os administradores da infraestrutura do ransomware assentava num modelo de comissão, no qual os três cúmplices transferiam uma quota de 20% de todos os proveitos das extorsões em troca do acesso ao portal malicioso e às ferramentas de encriptação.
O impacto nas organizações e a reação do setor
As ações do grupo afetaram gravemente pelo menos cinco organizações de grande relevância nos Estados Unidos. Entre os alvos confirmados encontram-se distritos escolares, instalações médicas, escritórios de advogados e empresas de serviços financeiros. Os relatórios do processo indicam que uma das firmas financeiras lesadas chegou a pagar um resgate de 25.660.000 dólares, enquanto uma instituição sem fins lucrativos transferiu a quantia de 26.793.000 dólares para recuperar o controlo dos seus ficheiros.
Antes da leitura da sentença de Martino, os seus parceiros Martin e Goldberg já se tinham declarado culpados do crime de conspiração para obstrução do comércio por extorsão, tendo sido condenados em maio a quatro anos de prisão cada um.
O Diretor Executivo da DigitalMint, Jonathan Solomon, veio a público condenar veementemente o comportamento dos antigos colaboradores. O responsável sublinhou que as ações praticadas violaram os padrões éticos e os valores da empresa, garantindo que ambos foram despedidos imediatamente assim que as atividades ilícitas foram descobertas pelas autoridades. Esta condenação surge numa altura em que o ecossistema empresarial enfrenta ameaças crescentes, sendo que o cibercrime continua a recorrer a táticas agressivas para comprometer os sistemas corporativos à escala global.












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