
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) sofreu uma intrusão nos seus sistemas informáticos que resultou no acesso indevido a dados de vários utentes. A revelação foi feita por Luís Goes Pinheiro, presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), confirmando que a porta de entrada foi a conta de um profissional de saúde, de acordo com as informações divulgadas pelo Observador.
O caminho da intrusão e a falha de segurança
Durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, solicitada pela Iniciativa Liberal, Goes Pinheiro explicou que o ataque começou com o acesso ilícito às credenciais de um médico. O dirigente fez questão de clarificar que o profissional em causa não teve qualquer intervenção no incidente. Após essa entrada inicial, a operação transformou-se num processo automatizado, acedendo massivamente a informações administrativas de cidadãos espalhados por diversas regiões de Portugal, englobando várias faixas etárias. É fundamental sublinhar que a informação comprometida foi exclusivamente administrativa, não existindo qualquer acesso a relatórios ou histórico clínico.
A equipa dos SPMS apenas detetou o problema a 21 de maio, ao início da tarde. O alerta não partiu da monitorização interna, mas sim de quatro cidadãos que estranharam as notificações recebidas sobre o acesso ao seu registo de saúde eletrónico. O sistema de saúde dispõe de uma funcionalidade que avisa o utente sempre que a sua ficha é consultada e por quem, ferramenta que o presidente dos SPMS considerou crucial para travar a ameaça, apesar do atraso na deteção.
Medidas de contenção e investimento tecnológico
Para travar o acesso indevido a estes dados, a entidade retirou o registo de saúde eletrónico da internet, limitando a sua disponibilidade exclusivamente à rede informática do setor da saúde. Este plano de contingência manteve-se em vigor até ao dia 1 de junho, data em que foi implementado um sistema de duplo fator de autenticação. O incidente foi prontamente comunicado à Polícia Judiciária, à Comissão Nacional de Proteção de Dados e ao Centro Nacional de Cibersegurança. Os portugueses afetados receberam instruções no portal dos SPMS para verificarem se o seu nome constava da lista de acessos injustificados.
Embora a entidade neutralize diariamente mais de dez tentativas de intrusão nos seus sistemas, o sucesso deste ataque expôs fragilidades estruturais que exigem uma resposta rápida. Para acelerar a modernização tecnológica, Goes Pinheiro sublinhou o desbloqueio da execução das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) até ao final do ano. Este balão de oxigénio traduz-se num investimento que ronda os oito milhões de euros destinados à cibersegurança, garantindo o desenvolvimento de plataformas mais atualizadas e protegidas contra futuras ameaças.












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