
O mercado da computação quântica acaba de receber um forte impulso financeiro. A Oratomic, uma promissora startup fundada por físicos do Caltech, anunciou a captação de 300 milhões de dólares (cerca de 277 milhões de euros) numa ronda de investimento de Série A. O financiamento foi coliderado pela ARCH Venture Partners, Spark Capital e Khosla Ventures, contando ainda com a participação de peso da Bezos Expeditions, Index Ventures, General Catalyst e Bain Capital.
De acordo com as informações avançadas pelo TechCrunch, a empresa pretende utilizar esta injeção massiva de capital para cumprir um objetivo ambicioso: desenvolver o primeiro computador quântico comercialmente viável e em escala útil até ao final desta década.
A tecnologia das pinças óticas
Ao contrário de outros concorrentes do setor que utilizam abordagens baseadas em circuitos supercondutores, a Oratomic aposta numa arquitetura pioneira fundamentada em lasers. Estes feixes de luz funcionam como "pinças óticas", sendo responsáveis por imobilizar e manter átomos individuais em posições exatas para servirem de base ao processamento de dados do sistema quântico.
A startup ganhou tração após os seus investigadores descobrirem que este método permite efetuar a correção de erros — um dos maiores desafios da área devido à extrema sensibilidade dos sistemas ao ruído externo — utilizando uma quantidade significativamente menor de qubits do que se julgava possível até agora.
O cofundador e CEO da empresa, Dolev Bluvstein, admitiu o impacto da descoberta:
"Anteriormente, não teriam conseguido convencer nenhum de nós a fundar uma empresa de computação quântica, porque pensávamos que estava demasiado distante. Só quando alcançámos este avanço recente é que mudámos todos de ideias em simultâneo."
Estratégia sem protótipos intermédios
Enquanto a maioria das empresas do setor disponibiliza protótipos experimentais de escala intermédia (conhecidos como NISQ) a corporações e cientistas, a Oratomic optou por saltar por completo essa etapa, focando-se exclusivamente no produto final tolerante a falhas.
O CEO referiu que a startup não deve ser comparada diretamente à PsiQuantum — empresa avaliada em 7 mil milhões de dólares que também rejeitou a fase NISQ e planeia entregar um sistema de um milhão de qubits no próximo ano —, argumentando que a abordagem da Oratomic é fundamentalmente mais simples e económica. "A diferença é que precisamos de sensivelmente 10.000 a 20,000 qubits para construir um computador útil, e já demonstrámos experimentalmente todos os componentes vitais necessários para essa máquina numa escala ligeiramente menor", explicou Bluvstein.
A concretização de um computador quântico funcional poderá acelerar de forma dramática os processos de cálculo complexos em Portugal e no mundo, trazendo impactos diretos a setores estratégicos como a inteligência artificial, a biotecnologia, a criptografia e a logística. Os investidores parecem partilhar deste otimismo; Vinod Khosla, da Khosla Ventures, recorreu à rede social X para afirmar convictamente que este representou o maior investimento inicial de sempre da sua firma.












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