
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos condenou o norte-americano Angelo Martino a uma pena de prisão superior a cinco anos por conspirar com cibercriminosos para realizar ataques informáticos. O caso, detalhado num comunicado emitido pelo próprio governo dos EUA, ganha contornos insólitos pelo facto de o homem exercer funções profissionais como negociador de resgates para uma empresa de cibersegurança legítima.
Durante o processo, as autoridades norte-americanas apreenderam mais de 10 milhões de dólares (cerca de 9,2 milhões de euros) em criptomoedas e ativos de luxo, que incluíam um camião de comida (food truck) e um barco de pesca de alta gama. Estes bens terão sido adquiridos por Martino com os fundos desviados nos esquemas criminosos.
Infiltrados no cibercrime
Martino tornou-se a terceira pessoa a ser detida no âmbito desta investigação, seguindo as pisadas de Kevin Martin e Ryan Goldberg, ambos também profissionais do setor da segurança digital. De acordo com a acusação, o trio uniu esforços ao longo de 2023 para disseminar o ransomware BlackCat (também conhecido no meio como ALPHV) contra várias empresas sediadas em território norte-americano.
Num dos ataques bem-sucedidos operados pelo grupo, os especialistas que operavam secretamente como criminosos conseguiram extorquir perto de 1,2 milhões de dólares (aproximadamente 1,1 milhões de euros) a uma organização daquele país. O montante foi posteriormente dividido em três partes iguais, após passar por um processo de branqueamento de capitais.
O ecossistema do ransomware
O grupo BlackCat funciona sob um modelo de ransomware-as-a-service (RaaS). Esta mecânica permite que piratas informáticos independentes, designados como afiliados, aluguem o código malicioso criado pelo grupo principal para bloquear ficheiros de alvos corporativos, em troca de uma percentagem dos lucros gerados pelas extorsões.
Esta tipologia de ameaças tem impulsionado o crescimento de um subsector de seguros nos Estados Unidos focado em responder a este tipo de incidentes, onde as seguradoras contratam negociadores para tentar mitigar as exigências financeiras dos atacantes. Contudo, o caso de Angelo Martino expõe uma falha ética severa num ecossistema onde quem devia proteger as empresas acabou por lucrar com a sua extorsão.












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