
A Volkswagen planeia reduzir a sua gama de modelos de automóveis para metade, integrado num plano global de reestruturação de eficiência na Europa. Conforme detalhado no comunicado oficial da marca, o conselho de administração estabeleceu a meta de reduzir a capacidade de produção anual para nove milhões de veículos, uma quebra face aos 12 milhões registados no período pré-pandemia, sendo que uma redução de dois milhões de unidades já foi concretizada. A empresa justifica a decisão com a forte concorrência internacional e com as alterações no ambiente de mercado global, afetado diretamente pela aplicação de novas tarifas alfandegárias.
Foco na rentabilidade e simplificação de opções
Com o objetivo de tornar o grupo na empresa automóvel mais atrativa do mundo até 2030, a construtora vai focar os esforços nos segmentos de mercado mais lucrativos. Esta estratégia prevê ainda uma redução de até 75% na complexidade das ofertas e equipamentos disponíveis nos veículos.
Para os consumidores, incluindo os compradores no mercado português, isto significa que existirá um número significativamente menor de opções de personalização e pacotes de extras no momento de configurar e adquirir um automóvel novo, simplificando o processo de fabrico.
Unificação tecnológica e braço de ferro com os sindicatos
No plano técnico, a empresa vai fundir as suas divisões focadas em tecnologia, o que inclui as áreas de software, plataformas e arquiteturas eletrónicas. A meta é unificar as estruturas que servem os mercados orientais e ocidentais, eliminando o desenvolvimento de soluções paralelas para potenciar a eficiência interna do grupo.
"Apesar do progresso alcançado, as reduções de custos planeadas até à data sob os programas acordados não são suficientes no atual ambiente económico e geopolítico", afirmou Arno Antlitz, CFO do grupo. "Em vez disso, temos de realinhar fundamentalmente o nosso modelo de negócio e alcançar melhorias estruturais e sustentáveis."
Embora o anúncio não mencione demissões de forma explícita, a reestruturação surge numa altura em que avançam dados sobre a intenção da Volkswagen eliminar 100 mil postos de trabalho nas suas fábricas alemãs nos próximos anos, representando cerca de 15% da sua força de trabalho global nesses locais. O plano poderá também ditar o encerramento de várias fábricas, naquela que será a maior reorganização nos 89 anos de história da gigante europeia.
Em sinal de protesto, o sindicato metalúrgico alemão IG Metall organizou manifestações em 18 instalações da empresa, incluindo uma ação em frente à sede em Wolfsburg. Christiane Benner, presidente do sindicato, sublinhou que as manifestações serviram para enviar um sinal claro à administração face aos cortes planeados em grande escala.












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