
A Apple vai utilizar as linhas de montagem da Intel nos Estados Unidos para produzir pelo menos alguns dos próximos processadores para os seus equipamentos Mac e iPhone. Este acordo acabou por se revelar a peça-chave para garantir uma isenção nas pesadas taxas de importação sobre semicondutores, que a marca obteve há quase um ano, segundo avança o The Wall Street Journal.
No verão passado, Tim Cook, o líder da gigante tecnológica, enfrentou forte pressão ao receber um pedido fora do comum por parte da Casa Branca. A administração de Donald Trump planeava impor taxas de 100% sobre todas as importações de semicondutores, uma decisão que inflacionaria drasticamente o custo de fabrico dos produtos mais importantes da empresa.
A influência nas negociações
Para contornar o impacto direto no seu modelo de negócio, a fabricante conseguiu assegurar uma isenção, comprometendo-se a investir mais centenas de milhares de milhões de dólares no mercado norte-americano. Durante as reuniões entre Cook, o presidente Donald Trump e o Secretário do Comércio, Howard Lutnick, o foco recaiu sobre outra entidade nacional: a fabricante de processadores que atravessava dificuldades na altura.
O contexto das negociações mostra como a administração Trump utilizou um investimento na fabricante norte-americana como condição essencial para dispensar as taxas aduaneiras. A ligação entre as conversas sobre os impostos e um potencial acordo para o fornecimento de hardware nunca tinha sido reportada até à publicação desta investigação.
A reação das ações e o custo final no mercado
Quase doze meses após as reuniões originais, Donald Trump recorreu à rede social Truth Social para anunciar que a marca de Cupertino passaria a integrar componentes produzidos no país para alguns dos seus produtos. "Decidi ajudar a Intel porque precisamos de desenhar e construir os nossos chips aqui mesmo na América", escreveu o presidente norte-americano. O impacto da mensagem catapultou imediatamente as ações da tecnológica para os valores de negociação mais elevados de sempre.
Com este compromisso de investimento nacional, a criadora do iPhone não foi forçada a subir os preços da sua linha de equipamentos em resposta às taxas de importação sobre os semicondutores. Infelizmente para os consumidores, a fatura final acabou mesmo assim por chegar, consequência direta da atual crise de escassez global no fornecimento de memória.












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