
A Polícia Nacional dos Países Baixos confirmou a existência de fortes indicações de que cibercriminosos do país participaram na intrusão à operadora de telecomunicações Odido. De acordo com o comunicado da Politie, a investigação revelou que o ataque inicial ocorreu através de engenharia social, onde um homem fluente no idioma local se fez passar por um funcionário de apoio informático.
A Odido presta serviços móveis, de banda larga e televisão a milhões de cidadãos. Quando a empresa reportou publicamente o incidente a 12 de fevereiro, referiu que os invasores acederam ao sistema de contacto com o cliente cinco dias antes, a 7 de fevereiro.
Engenharia social como porta de entrada
O método utilizado na Odido espelha uma tática de extorsão telefónica que afeta cada vez mais o tecido empresarial europeu e o mercado em Portugal. Um telefonema para o apoio ao cliente da operadora permitiu ludibriar os funcionários, resultando num esquema de phishing que abriu os servidores da empresa. Stan Duijf, chefe de operações da Unidade Nacional de Investigação e Intervenções, sublinhou que a investigação continua e que foram recolhidos vários vestígios ao longo do inquérito deixados pelos atacantes.
A brecha comprometeu as informações pessoais de 6,2 milhões de clientes. A base de dados exposta inclui nomes completos, moradas, números de telemóvel, números de cliente, endereços de email, IBAN, datas de nascimento e detalhes de identificação pessoal. A operadora frisou que não houve comprometimento de palavras-passe, dados de faturação, localização, histórico de chamadas ou cópias de documentos de identificação.
A sombra do grupo ShinyHunters
A autoria do incidente foi assumida pelo coletivo ShinyHunters, que publicou no seu portal na dark web um ficheiro de 88 GB contendo mais de 15 milhões de registos associados à Odido. Este grupo ganhou notoriedade mundial ao executar campanhas de "vishing" (phishing através de chamadas de voz) direcionadas a plataformas de autenticação única corporativas.
Os piratas informáticos contactam as vítimas fazendo-se passar pelo suporte técnico, para roubarem códigos de autenticação multifator e credenciais da Microsoft, da Google e da Okta. Após comprometerem as contas corporativas, extraem dados de múltiplas ferramentas de trabalho interligadas. O coletivo possui um longo histórico de ataques e esteve recentemente envolvido em incidentes que afetaram mais de 100 organizações globais na sequência de uma falha de segurança num sistema da Oracle.












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