
A plataforma de jogos para PC Steam ultrapassou a marca histórica dos 200 milhões de utilizadores ativos mensais (MAUs), segundo estimativas recentes avançadas pelo analista Simon Carless. Os novos dados revelam que o ecossistema da Valve detém agora uma vantagem confortável e esmagadora face à concorrência direta das consolas, superando a rival PlayStation por uma margem de aproximadamente 60%.
No final de março de 2026, a Sony reportou oficialmente que a sua comunidade se fixava nos 125 milhões de utilizadores ativos. O crescimento da Steam foi acompanhado por um desempenho financeiro robusto, tendo gerado cerca de 11,1 mil milhões de dólares (aproximadamente 10,2 mil milhões de euros) em receita bruta durante a primeira metade de 2026. De acordo com a Alinea Analytics, o valor representa uma subida homóloga de 14,5% face ao mesmo período de 2025, superando os picos registados na plataforma durante a pandemia da COVID-19.
A matemática por trás do crescimento da Valve
Para calcular a estimativa global de 200 milhões de utilizadores, Simon Carless baseou-se nos dados oficiais que a Valve submeteu à União Europeia para cumprir o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA). A empresa reportou uma média de 31,1 milhões de utilizadores ativos mensais no território europeu durante a segunda metade de 2025.
Ao cruzar estes números com a distribuição global de largura de banda da própria plataforma, o analista estimou um total de 198 milhões de utilizadores mundiais em 2025, barreira que foi ultrapassada nos primeiros seis meses deste ano. A subida nas receitas sugere não só uma maior atividade por parte da comunidade de jogadores, mas também um aumento do gasto médio por cada utilizador no ecossistema de hardware e software para computador.
Decisões da Sony empurram jogadores para o PC
O forte desempenho da Steam coincide com uma vaga de descontentamento no mercado das consolas. Um inquérito recente realizado a entusiastas da plataforma da Sony indica que quase metade dos utilizadores está a ponderar seriamente mudar para o ecossistema PC. Na base desta possível migração estão decisões recentes da fabricante japonesa que afetam diretamente a carteira dos consumidores:
O encerramento definitivo da produção de discos físicos para novos videojogos a partir de janeiro de 2028.
Preços das versões digitais na PlayStation Store substancialmente mais caros que as cópias físicas.
O fecho programado das lojas digitais da PS3 e PS Vita entre agosto de 2026 e julho de 2027.
Aumentos de preço nas mensalidades do serviço PlayStation Plus.
Previsão de custos elevados para a futura PlayStation 6 devido à escassez de chips de memória.
Em contrapartida, os jogadores valorizam a flexibilidade do PC, que oferece retrocompatibilidade total entre gerações, descontos sazonais agressivos e uma biblioteca mais vasta. Para quem pondera a transição a partir de Portugal, montar uma máquina equivalente à atual geração custa entre 700 € e 1.000 €, enquanto a consola portátil Steam Deck oscila entre os 549 € e os 949 €, dependendo do armazenamento escolhido.
Mudança de paradigma no mercado dos videojogos
A atual distância entre as comunidades da Steam e da PlayStation reflete uma alteração profunda na indústria. O antigo executivo da Sony, Shawn Layden, afirmou recentemente que a estratégia de levar os exclusivos da consola para o PC nunca foi motivada apenas por dinheiro. Contudo, o volume atual do mercado de computadores tornou-se demasiado expressivo para ser ignorado pelas editoras.
A Valve tem aproveitado o momento para cimentar a sua posição com atualizações contínuas de software, incluindo o recente SteamOS 3.8.10, concebido para expandir o suporte de componentes e otimizar o desempenho das consolas portáteis de terceiros. Com a aproximação do fim dos formatos físicos nas consolas, a tendência de crescimento do mercado de PC deverá manter-se nos próximos anos.












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