
Durante a sua recente atuação no Real Cool Festival, em Madrid, a cantora Lorde manifestou publicamente o seu descontentamento face aos novos óculos inteligentes equipados com inteligência artificial. A artista aproveitou o concerto em solo espanhol para lançar duras críticas tecnológicas direcionadas, previsivelmente, à Ray-Ban, uma das principais patrocinadoras do evento musical.
As declarações foram captadas em vídeos que circulam na rede social X. Após agradecer a presença do público por fazer parte de "algo real", a intérprete neozelandesa desabafou sobre a crescente dificuldade em distinguir o que é genuíno no quotidiano moderno, apontando o dedo aos novos dispositivos visuais que invadem o mercado de consumo.
Crítica direta em palco
No seu discurso com a assistência, a cantora não escondeu a sua desaprovação em relação aos wearables de realidade assistida. "Não sabem se alguém está a usar óculos de sol ou se está a usar aqueles malditos... Posso apenas dizer, para que fique registado, que se lixem os óculos. Não comprem os óculos. Não é sexy", afirmou categoricamente durante o espetáculo na capital espanhola.
Apesar de a artista não ter mencionado nomes de marcas específicas, a polémica ganhou contornos irónicos devido ao contexto do festival. A marca Ray-Ban, patrocinadora oficial do recinto, desenvolveu a sua linha de óculos inteligentes em estreita colaboração com a Meta. Para adensar o cenário, a atuação seguinte em palco pertenceu a Jennie, integrante do grupo sul-coreano Blackpink e embaixadora oficial destes mesmos óculos nas campanhas publicitárias da tecnológica.
O debate sobre a privacidade
Este tipo de reação surge numa altura em que os óculos inteligentes enfrentam um forte escrutínio público global. O mal-estar entre os utilizadores tem aumentado perante os planos da indústria de introduzir modelos capazes de efetuar captações de imagem e som de forma contínua, o que agrava os receios relacionados com a vigilância passiva em espaços públicos.
Para quem frequenta grandes eventos em Portugal e na Europa, esta tomada de posição reflete uma resistência cultural emergente contra aparelhos que gravam o ambiente em tempo real. A atitude da artista realça a divisão entre os adeptos da conveniência tecnológica e os cidadãos que priorizam a privacidade e a autenticidade nas interações humanas sociais.












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