
Trocar um apartamento por uma moradia representa, em média, um investimento adicional de 30.500 euros em Portugal, mas a realidade do mercado imobiliário nacional é bastante mais heterogénea do que o valor sugerido. De acordo com dados recentes do Imovirtual, que compararam os preços médios de venda dos últimos três meses com o período homólogo, esta diferença de custo não é uniforme e pode inverter-se completamente consoante a região e a tipologia escolhidas.
Enquanto a perceção comum associa a mudança para uma moradia a um aumento significativo do orçamento, a análise demonstra que, em vários distritos do interior do país, adquirir uma moradia pode sair mais barato do que comprar um apartamento equivalente. Este cenário contrasta fortemente com os grandes centros urbanos e zonas turísticas, onde a moradia se mantém como um segmento de investimento muito mais dispendioso.
O impacto da localização no custo da casa
Nos principais mercados metropolitanos, a diferença de preço continua a ser expressiva. Na Madeira, o acréscimo médio para aceder a uma moradia situa-se nos 300.000 euros, seguida pelo Algarve, com 285.000 euros, e Setúbal, com 260.000 euros. Em Lisboa, a transição implica, em média, mais 259.750 euros, enquanto no Porto a diferença é de 145.100 euros.
O cenário inverte-se quando se analisa o interior do território nacional. Em Coimbra, o preço médio de uma moradia é inferior ao de um apartamento em 165.000 euros. A tendência mantém-se em Castelo Branco, com uma diferença negativa de 150.000 euros, e em Viseu, onde a moradia custa menos 122.500 euros em média. Este fenómeno explica-se, em grande parte, pela localização geográfica da oferta: enquanto os apartamentos concentram-se nas áreas metropolitanas e empreendimentos recentes, as moradias disponíveis nestas regiões periféricas tendem a situar-se em zonas com custos de terreno e construção mais acessíveis.
Valorização superior no segmento das moradias
Além das diferenças no preço de aquisição, as moradias estão a valorizar de forma mais acelerada do que os apartamentos. Face ao mesmo período de 2025, o preço médio dos apartamentos registou uma subida de 2,3%, enquanto as moradias cresceram 7,1% — uma valorização três vezes superior. O destaque vai para as moradias T3, que apresentam um aumento anual de 23,9%, refletindo a crescente procura por parte de famílias que privilegiam áreas amplas.
Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, sublinha que "o mercado imobiliário português é hoje muito mais diverso do que muitas vezes se imagina e existem alternativas que nem sempre são consideradas por quem procura mudar de casa". A análise reforça que a viabilidade de trocar de habitação depende menos do tipo de imóvel e cada vez mais de uma análise rigorosa à localização e à dinâmica específica de cada tipologia no mercado local.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!