
Um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais nos EUA avançou com um processo antitrust com o objetivo de bloquear a aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Paramount. De acordo com o documento oficial partilhado pela Procuradoria-Geral da Califórnia, a ação judicial surge cerca de um mês após o Departamento de Justiça dos EUA ter dado luz verde ao negócio, avaliado em 110 mil milhões de dólares.
A queixa, apresentada num tribunal federal da Califórnia, conta com a participação de estados como Arizona, Colorado, Nova Iorque e Washington. Os representantes legais alegam que a fusão viola a legislação de concorrência económica ao reduzir as opções na distribuição de filmes nas salas de cinema e o licenciamento de canais de cabo básico. O Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou em comunicado que a união destes gigantes resultará em preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdos para o público, prejudicando os consumidores.
Impacto na concorrência e nas salas de cinema
Segundo os dados apresentados pela acusação, a entidade combinada controlaria cerca de 27% do mercado de distribuição cinematográfica alargada. No segmento específico de grandes produções que envolvem orçamentos elevados e grande expectativa de bilheteira, as duas empresas passariam a dominar três décimos de todos os títulos previstos na indústria. No setor da televisão por cabo, as companhias juntas também assegurariam uma quota de 27% na distribuição de canais para operadoras de satélite e cabo, sendo atualmente a WBD a segunda maior entidade do setor e a Paramount a terceira.
Em resposta às acusações, um porta-voz da Paramount classificou o processo como legalmente e factualmente falhado, assegurando que a transação vai ser defendida com vigor. A empresa argumentou que adiar a fusão prejudicará os trabalhadores da indústria do entretenimento, afetando diretamente milhares de postos de trabalho no estado da Califórnia. O CEO da empresa, David Ellison, já tinha garantido anteriormente que a nova estrutura pretende lançar pelo menos 30 filmes por ano, beneficiando o público.
A corrida no mercado do streaming
A Paramount defende que a fusão permitirá criar uma empresa de comunicação social mais forte e capitalizada, capaz de competir de forma justa com plataformas que dominam atualmente o setor. O principal rival apontado é a Netflix, que encerrou o último ano com mais de 325 milhões de subscritores pagos a nível global.
Em termos de dimensão de mercado, a Warner Bros. Discovery contava com mais de 140 milhões de utilizadores nas suas plataformas de streaming no final de março, enquanto a Paramount+ registava 79,6 milhões. Em comparação, no encerramento de junho de 2025, os serviços combinados da Disney e da Hulu acumulavam 183 milhões de clientes.
Os estados queixosos pretendem agora obter uma providência cautelar para impedir a conclusão do negócio. Para lá do escrutínio norte-americano, os dois estúdios aguardam a aprovação de reguladores internacionais, incluindo a União Europeia, que tem uma decisão provisória agendada para 22 de julho, e o regulador do Reino Unido, que iniciou uma investigação ao caso em junho.












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