
As autoridades do Reino Unido acusaram formalmente cinco indivíduos após uma investigação profunda à Russian Coms, uma conhecida plataforma de falsificação de identidades de chamadas (caller ID spoofing). Segundo avançou a National Crime Agency (NCA), o sistema foi utilizado para realizar mais de 1,8 milhões de chamadas falsas em esquemas criminosos.
Detalhes das acusações e detidos
Os acusados, com idades compreendidas entre os 28 e os 53 anos, são todos residentes na zona de Londres e têm comparência agendada no Tribunal de Magistrados de Westminster para a próxima sexta-feira, 14 de agosto. A lista de crimes inclui conspiração para o fornecimento de artigos destinados à prática de burlas e a conversão ou transferência de propriedade criminosa. Um dos suspeitos foi ainda acusado de não cumprir a obrigação legal de fornecer os códigos de acesso aos seus telemóveis.
Este grupo geria uma vasta rede que permitia a utilizadores malintencionados mascarar o seu número de telefone verdadeiro. Ao simularem chamadas provenientes de instituições bancárias, operadoras de telecomunicações ou autoridades policiais, os criminosos ganhavam a confiança das vítimas para desviar poupanças e recolher dados confidenciais.
O impacto financeiro global
Desde o seu aparecimento em 2020, a plataforma foi associada a perdas financeiras de dezenas de milhões de euros, fazendo cerca de 170.000 vítimas. Os utilizadores do serviço compravam pacotes de acesso de seis meses, com custos que variavam entre os 1.400 € e os 1.650 €, pagos exclusivamente através de criptomoedas.
Este esquema de fraude internacional registou mais de 1,3 milhões de chamadas direcionadas a 500.000 números de telefone únicos em 107 países, afetando cidadãos em território britânico, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia, na Noruega e na França. De acordo com o relatório da NCA, o prejuízo médio por lesado superou os 11.000 €.
A infraestrutura foi desmantelada numa operação policial que teve início com a detenção de três suspeitos em Londres, apontados como os administradores e programadores da aplicação. A ação fez parte de uma iniciativa internacional de combate ao crime cibernético designada "Operação Henhouse", que resultou em 290 detenções em várias regiões do Reino Unido.












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