
A indústria global de semicondutores poderá enfrentar, em 2027, um dos períodos de maior escassez de oferta de sempre. A previsão foi avançada pelo CEO da SK Hynix, Kwak Noh-jung, que acredita que o desequilíbrio entre a procura e a capacidade de fornecimento deverá persistir até ao início da próxima década.
Apesar dos esforços da fabricante sul-coreana em expandir a sua capacidade de produção, a escalada galopante da inteligência artificial (IA) continua a ditar o ritmo do mercado. A necessidade crescente de processadores de alto desempenho obriga a investimentos na ordem dos milhares de milhões de euros, mas, como sublinha o responsável, a construção de novas unidades de fabrico avançado é um processo que demora anos a concretizar.
Expansão global e desafios estratégicos
A SK Hynix está atualmente a avaliar diversos locais para a construção de novas unidades de produção de "wafers de silício", a base essencial onde são implantados os circuitos integrados. O Japão, o sudeste asiático e os Estados Unidos figuram entre as opções sob análise para esta expansão internacional.
De acordo com Kwak Noh-jung, a decisão final dependerá de um conjunto rigoroso de requisitos, que incluem:
Disponibilidade estável de energia elétrica e água;
Existência de mão de obra altamente qualificada;
Competitividade nos custos de produção a longo prazo.
"Nada foi decidido ainda", afirmou o CEO, reforçando que a empresa procura a localização que ofereça a maior vantagem comercial possível. Mesmo com estas novas infraestruturas, a perspetiva é de que a procura dos clientes permaneça superior à capacidade de entrega da indústria mesmo depois de 2030.
Momento financeiro e investimento em memória
O otimismo quanto ao volume de procura é acompanhado por um desempenho financeiro robusto. A aposta estratégica da SK Hynix em memórias HBM (High Bandwidth Memory) tem sido um dos pilares deste crescimento, permitindo à empresa atingir um lucro operacional recorde de 31 mil milhões de dólares (cerca de 28,5 mil milhões de euros) em 2025.
Este cenário de valorização reflete-se na bolsa, com as ações da fabricante a acumularem uma subida superior a sete vezes no último ano. Em conjunto com a Samsung, a empresa faz parte de um ambicioso plano do governo sul-coreano que visa duplicar a produção nacional de chips de memória, com investimentos projetados na ordem dos 880 mil milhões de dólares.












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