
O líder e cofundador da Google DeepMind, Demis Hassabis, defende a criação urgente de uma entidade global com autoridade para travar o desenvolvimento de modelos avançados caso estes se revelem demasiado perigosos. A proposta foi detalhada num artigo de opinião publicado no LinkedIn, onde o responsável argumenta que os Estados Unidos deverão assumir a liderança desta iniciativa devido à sua forte posição económica e técnica no mercado.
De acordo com o documento, intitulado "A Framework for Frontier AI and the Dawning of a New Age", a nova organização operaria nos moldes de reguladores financeiros existentes, como a Autoridade Reguladora do Setor Financeiro (FINRA) norte-americana. O grupo seria composto por especialistas independentes e representantes de comunidades de código aberto. A missão central passaria por avaliar os modelos de fronteira antes do seu lançamento público, detendo o poder de coordenar um abrandamento em toda a indústria tecnológica se o risco de implementação for considerado elevado.
O peso da singularidade e a pressão política
Hassabis justifica esta urgência com a rápida sofisticação dos sistemas atuais. O executivo alerta que a inteligência artificial geral (AGI) estará provavelmente a poucos anos de distância. Na sua perspetiva, a humanidade encontra-se no sopé da singularidade, um momento que define como o amanhecer de uma nova era.
O vencedor do Prémio Nobel da Química de 2024 passou os últimos meses a construir bases e a reunir apoios para o seu plano. Segundo informações prestadas ao portal Axios, o executivo já apresentou o projeto à administração Trump, a funcionários europeus e a laboratórios concorrentes. O objetivo passa por colocar a organização a funcionar antes do final do ano, com Hassabis a descrever as indicações recebidas por parte do atual governo dos Estados Unidos como muito positivas.
Um vazio regulatório por preencher
Até ao momento, não existe um conjunto global de regras focado em exclusivo nesta área, nem uma legislação nacional abrangente nos Estados Unidos — uma realidade que contrasta de forma evidente com o quadro regulatório apertado que a União Europeia tem vindo a implementar. A proposta de Hassabis complementa uma declaração assinada pelo próprio no mês passado, que exigia proteções rigorosas contra a produção de armas biológicas facilitada por algoritmos.
A pressão sobre a classe política estende-se a outros nomes de peso do setor. Figuras de relevo como Jack Clark, cofundador da Anthropic, e Eric Schmidt, antigo diretor executivo da Google, apelaram recentemente aos líderes mundiais para que encarem com a devida seriedade os iminentes impactos económicos gerados por esta transição tecnológica.












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