
Procuradores federais dos EUA revelaram acusações contra três cidadãos russos por fornecerem serviços de alojamento "à prova de bala" (BPH) a grupos de ransomware. Segundo um documento publicado pelo Departamento de Justiça dos EUA, as operações criminosas destas organizações causaram mais de 57,66 milhões de euros em danos a vítimas a nível global.
Os fornecedores deste tipo de alojamento alugam servidores que dificultam as tentativas das autoridades para interromper atividades maliciosas, incluindo a distribuição de malware, operações de comando e controlo, ataques de phishing e alojamento de conteúdos ilícitos. A sua comercialização assenta na premissa de ignorar queixas das vítimas e eventuais pedidos de remoção por parte da lei.
Infraestruturas globais e pagamentos ocultos
As duas plataformas visadas, Media Land e ML.Cloud, disponibilizaram aos clientes infraestruturas em vários países fora da Rússia, entre os quais China, Finlândia, Países Baixos e os Estados Unidos. A acusação tornada pública na terça-feira detalha que Aleksandr Volosovik (que usava o pseudónimo "Yalishanda" em fóruns de cibercrime) era o proprietário da Media Land. Yulia Pankova geria a ML Cloud e prestava assistência em questões legais e financeiras, ao passo que Kirill Zatolokin cobrava os pagamentos dos clientes.
O Departamento de Estado norte-americano avançou com uma recompensa de até 9,3 milhões de euros através do programa Rewards for Justice (RFJ) por qualquer informação sobre associados ligados a governos estrangeiros, as suas atividades cibernéticas maliciosas ou a utilização destas empresas por governos externos.
Recompensas e sanções internacionais
Os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália já tinham sancionado os três arguidos e as duas empresas em novembro por fornecerem infraestruturas de ataque e apoio técnico a diversas operações de cibercrime, incluindo os grupos Lockbit, Blacksuit e Play. O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro indicou, na ocasião, que a infraestrutura da Media Land foi utilizada para lançar ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) contra empresas norte-americanas e sistemas críticos de telecomunicações.
"As vítimas neste caso não estão apenas no Ohio, mas também em 20 outros estados em todo o país, tocando todos os aspetos da vida dos americanos. Incluem bancos, escolas, entidades governamentais, hospitais e empresas de comunicação social", afirmou o Procurador dos Estados Unidos, David M. Toepfer. "Em conjunto com os nossos parceiros internacionais, combateremos agressivamente os esforços de indivíduos que se escondem atrás de computadores em qualquer parte do mundo e que procuram lucrar e causar estragos, visando as infraestruturas que sustentam as nossas comunidades."
O Conselho da União Europeia anunciou esta semana sanções contra a Media Land, a ML.Cloud e Alexander Volosovik. A medida surge integrada no primeiro pacote conjunto de sanções cibernéticas emitido contra a Rússia em colaboração com o Reino Unido.












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